Que o Marketing Social continue após a pandemia, mas faça direito!

Tenho uma infame teoria que, os sentimentos mais fortes para incitar as pessoas a agir são, nessa ordem:

  1. A raiva;
  2. O medo; e
  3. A fé/esperança.

Acredito que nesta pandemia o estado de medo seja o mais presente pelo temor da contaminação, principalmente por nossos entes queridos que se encontram nos grupos de risco.  

O medo descontrolado ativa o instinto de sobrevivência de se preocupar apenas consigo mesmo, de forma que movem pessoas a estocar papel higiênico em quantidades malucas e sem se preocupar com o próximo.

Entretanto, quando o medo é controlado, ele analisa a situação factualmente, impede de acreditarmos no vídeo do “Químico Autodidata” recomendando vinagre ao invés de álcool em gel e permite que a solidariedade predomine e utilizemos nossos recursos em prol do próximo.

Todo sentimento quando controlado pode ser usado para o bem, até com a raiva, meu texto “Agentes de Carga, precisamos conversar sobre seu saturado Marketing”, foi escrito martelando o teclado em estado de ira e é um dos meus textos mais elogiados, principalmente por agentes de carga.

Enfim, é uma teoria minha baseada cientificamente em nada, vamos continuar no assunto.

O que é Marketing Social?

Se sua empresa utiliza recursos para combater problemas da sociedade e busca contaminar (péssima palavra no atual momento) inspirar pessoas e até outras empresas, isso é Marketing Social.

Este é o Marketing 3.0, ele é “centrado em valores. Além da venda que satisfaça o consumidor, o negócio precisa ter um propósito maior: o de transformar o mundo em um lugar. – Rock Content.

Através dele, você demonstrará com suas ações o que você considera importante combater no segmento que sua empresa, afinal de que adianta elaborar Missão, Visão e Valores romantizadas e estampar lindamente no seu site, se elas não são praticadas?

É como ter pena da tartaruga com o canudo no nariz, porém nunca separa o lixo orgânico do reciclável.

Como fazer Marketing Social sem “pegar mal”?

Ninguém gosta de ver uma pessoa anunciando aos quatro cantos os atos de caridade, pois demonstra a vaidade da intenção por trás dos atos, por isso é primordial ter cuidado em como os clientes atuais e em potencial interpretarão a execução e comunicação das campanhas de marketing social.

Escolhi as três orientações abaixo com base no que já testemunhei de certo e errado como cliente no comércio exterior, e como o objetivo do texto é ensinar, não vou dar indiretas ou lavar roupa suja.

Não seja hipócrita.

A hipocrisia no marketing social é a irmã mais nova da propaganda enganosa, isto é, o que você prega e vende, precisa ser sentido pelos clientes e colaboradores.

A incoerência do Pregado X Praticado é mais vaga e subliminar que a propaganda enganosa, pode não resultar em processos ou PROCON, no entanto, ficará aquele sentimento de que levou uma rasteira alta pelas costas.

Figura 1 – Foi na bola, segue o jogo. – Globoesporte.com

E sabemos por experiência profissional e pessoal que é praticamente impossível reverter o sentimento da traição, jamais a relação voltará ao que era.

Antes de um banco querer que todos recebam educação financeira, ele precisa cooperar tornando seus produtos mais simples e transparentes, bem como não adianta homenagear as mulheres em março, se as colaboradoras não se sentirem representadas nos outros 11 meses.

Como você age rotineiramente precisa estar em sintonia com o que prega.

Tenha sensibilidade.

Se você tratar momentos difíceis ou trágicos como oportunidades de Marketing, vai soar oportunista e o efeito será negativo e muito mais duradouro, pois tendemos a carregar o ranço no coração por muito mais tempo que a gratidão.

Não é num artigo que lhe ensinarei a ter sensibilidade, mas o que tenho como regra é:

Se alguma ideia sua está lhe causando receio que possa pegar mal, provável que seja seu desconfiômetro avisando que vai!

Talvez a ideia seja boa, mas é preciso ter sensibilidade na execução, lembram como a Red Bull se promoveu em 2007 na tragédia do metrô Pinheiros? É de casos assim que dizemos que de boa intenção, o inferno está cheio.

Pois mesmo depois da marca se retratar, o estrago está feito.

Faça-o continuamente.

Se você, independentemente do tamanho da empresa ou pessoa física, começou apenas agora a fazer o Marketing Social por genuinamente querer ajudar, ótimo, toda solidariedade nesse momento é bem-vinda.

Mas essa pandemia vai passar em algum momento e os problemas de sempre continuarão presentes, quando esse esperado dia chegar, veja com quais seus valores mais se identificam e torne o Marketing Social um hábito.

Porque se você o fizer apenas em momentos de tragédia ou pandemia, mesmo que bem intencionado, vai acabar parecendo que foi feito por pressão social.

Que ele seja tão rotineiro, que se torne obrigação natural.

Marketing Social não é algo novo, assim como Home-Office, Videoconferência, Nuvem (e lavar as mãos!), mas são exemplos assim que estão se destacando durante a pandemia e já alteraram a forma que trabalhamos e interagimos em sociedade.

E torço para que ele mantenha a nova relevância alcançada, pois fazer o bem ao próximo através do exemplo, é a única forma de inspirar outros a realizá-lo.

Que boas campanhas de Marketing Social você tem visto?

Tenho certeza de que você já testemunhou vários bons exemplos, assim como você e sua empresa estão ajudando como podem, conta aí nos comentários! Isso pode dar ajudar e inspirar outros a fazerem o mesmo.

Este artigo foi escrito para o Grupo Trust e foi originalmente publicado em seu Blog.


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