Custos de importação, quais são e quando devo pagá-los?

Se você está pensando em Importar e está aqui por se preocupar com os custos de importação, parabéns! Essa atitude mostra bom senso e já tenho fé que sua futura operação será um sucesso.

Mesmo em pequenos volumes, estes custos são pesados e é importante conhecê-los com o intuito de descobrir se o produto será viável para o objetivo dele no Brasil. 

O texto não focará no quanto (explicarei o porquê no final), e sim em quais são os custos e quando é necessário pagá-los, a fim de auxiliar no seu fluxo de caixa.

Dividindo os custos de importação em grupos.

Com o propósito de facilitar a apresentação e entendimento de cada Custo de Importação, decidi separá-los em três grupos, respeitando (mais ou menos) a ordem que cada um surge na Importação, não necessariamente a ordem de pagar.

E, antes de qualquer coisa, atenção! Trataremos aqui da Importação Formal, nada aplicável à modalidade courier das comprinhas via AliExpress ou eBay da vida.

Custos Comerciais.

Comecemos com o menor e primeiro dos três grupos, aqui teremos apenas o exportador e as instituições financeiras que realizam a movimentação internacional de dinheiros divisas.

Mercadoria:

Temos que falar do óbvio pois ficará estranho, deixá-la de fora, aliás, a decisão do que comprar, o valor, a quantidade e os INCOTERMS serão os principais influenciadores na composição do Valor Aduaneiro (VA), bem como os demais custos de importação adiante.

Isso significa que, se seu orçamento for apertado, provável que precisará reduzir a quantidade ou qualidade de mercadoria comprada.

Câmbio: 

A não ser que se trate de uma Importação sem cobertura cambial (doação, substituição, dentre outros), é preciso pagar pela mercadoria e é provável que pagará a maior parte do valor antes mesmo do embarque.

O que é natural, leva tempo para você começar a ser visto como bom pagador no Comércio Exterior e não existe um Procon ou Reclame Aqui mundial para auxiliar.

Para fazer este pagamento, será necessário converter seus Reais na moeda do Exportador através de uma instituição financeira; sobre tal serviço incidirá o custo da rede SWIFT e o Spread da operação, embutido na taxa ofertada da moeda.

Custos Operacionais:

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Com toda a certeza essa é a turma que faz a importação acontecer, formalmente chamados de Intervenientes.

E não é porque tratamos de custos da importação que você deve bater neles por preço, é necessário, acima de tudo, desenvolver o relacionamento comercial, com o intuito de localizar os melhores, manter os custos baixos e não ter surpresas na operação.

Os citados aqui, têm seus serviços pagos, em geral, depois da chegada da carga no destino final, podendo ter prazo superior (a depender da sua negociação). 

Despacho Aduaneiro:

Trata-se, em suma, do serviço de nacionalizar a carga através do Despacho Aduaneiro.

Os valores cobrados aqui podem ser com base em uma porcentagem do VA, ou podem ter outros valores fixos, de acordo, principalmente, com o tratamento administrativo de sua mercadoria.

Frete Internacional:

Infelizmente, nascemos cedo demais para ver uma máquina de teletransporte funcionar, portanto, alguém precisa realizar do frete internacional.

Esse trabalho é realizado especialmente por agentes de carga e NVOCC, que centralizam a gestão da logística internacional com armadores, companhias aéreas e agentes de carga em outros países.

Tal serviço engloba não apenas frete internacional, mas também o transporte interno e armazenagem no país de origem, entre outros (a depender da complexidade logística).

Em suma, os principais influenciadores neste custo serão, basicamente:

  • O INCOTERM (EXW, FOB, etc.);
  • Modo de embarque (aéreo, rodoviário, marítimo FCL, LCL…); e
  • Aspectos físicos da carga (peso, dimensão, se pode empilhar, se é frágil, se é carga perigosa…). 

Seguro

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Ponto bem importante, negocie à exaustão com o exportador, ou qualquer um dos outros custos de importação, mas por favor:

não deixe de assegurar sua carga.

Não faz sentido nenhum economizar com algo que fará mais falta em caso de sinistro. Este valor, no geral, é uma porcentagem que costuma ficar abaixo de 0,5% sobre o valor da Mercadoria + Frete Internacional.

Mas procure sempre esclarecer com a companhia seguradora ou corretor, pois existem produtos, países de embarque e outras situações com restrições que seguros não cobrem.

Armazenagem e serviços acessórios:

Para que sua mercadoria seja nacionalizada é preciso que ela adentre no país por uma área alfandegada, que podem ser portos, aeroportos e zonas de fronteiras.

Dessa maneira, será preciso ao menos pagar pela armazenagem (% do VA por período) e da movimentação da carga no recinto.

Guarujá - SP, Brazil, Jardim Boa Esperanca (Vicente de Carvalho)
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Além disso, pode haver outros custos conforme a necessidade da mercadoria: etiquetar, embalar ou, por exemplo, a necessidade de posicionar a carga para vistoria de algum órgão público.

É necessário muito cuidado! Os Custos de Importação das tabelas de preços de terminais costumam ser confusos, e até traiçoeiros, principalmente por não haver um padrão de nomenclatura e formato de cobrança (peso, volume, dimensões…) exigidos.

Transporte Interno:

Se o seu processo de importação conseguiu, com sucesso ou mesmo com alguma dificuldade, o desembaraço aduaneiro, e está pronto para deixar o recinto alfandegado, é preciso que alguém busque e transporte a sua mercadoria para onde quer que você deseje entregar.

Presumindo que não seja uma carga projeto, sua transportadora precisará apenas dos dados da carga, da rota e o VA.

Caso tenha veículo próprio pode utilizá-lo sem problemas, contudo, converse antes com seu Despachante Aduaneiro, não é simplesmente chegar no local e pedir sua encomenda

Consultoria e Assessoria:

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Se lhe falta experiência e um setor de importação na empresa, é importante contar com uma pessoa de confiança para garantir o bom fluxo operacional e detectar as oportunidades de melhoria e redução de custos.

Os valores de assessoria costumam ser cobrados por hora ou projeto, e são devidos antes mesmo da Importação começar, pois é trabalho do consultor lhe prevenir dos problemas custosos.

Problemas custosos no Comex, é redundância.

Vieira, Jonas – 2020

Afinal, sabemos que quaisquer cinquenta dólares economizados fazem diferença (ou falta).

Custos Aduaneiros e Tributários.

Vamos agora abordar o grupo que é certamente o mais “oneroso” dos três.

É possível reduzir custos com regimes aduaneiros e soluções tributárias, contudo, não há muito o que fazer e o que foi feito – os seus concorrentes provavelmente também já fizeram.

A maioria deles deverá ser pago depois da carga chegar no terminal alfandegado e antes do carregamento – aliás, nem vai conseguir carregar ou sequer começar o despacho aduaneiro sem a devida quitação.

Tributos incidentes na Declaração de Importação (DI).

A propósito de que seu despachante aduaneiro consiga registrar a DI, é necessário ter saldo em conta para pagar esta quantia de tributos:

  • Imposto de Importação (II);
  • Imposto sobre Produto Industrializado (IPI);
  • PIS;
  • COFINS;
  • Taxa de Utilização do Siscomex (TUS); e
  • Defesas Comerciais e Medidas Compensatórias, tais como: Antidumping e Salvaguarda.

Caso sua Importação apresentou alguma irregularidade e seja multada, também precisará pagar essa multa para conseguir o desembaraço.

Tributos incidentes APÓS o registro da DI:

Apesar de já ter pagado bastante com a DI, infelizmente os custos de importação aqui não acabaram… falta pagar o ICMS ao Estado  e o AFRMM, caso tenha importado por via marítima.

E menção desonhonrosa para:

A depender da classificação fiscal, existem licenças de importação que precisam ser pagas para serem analisadas, por exemplo, alguns produtos que precisam da anuência da SUEXT (antiga DECEX), só têm o processo analisado após o pagamento da respectiva taxa via Banco do Brasil.

Também há produtos, como bebidas, lâmpadas e brinquedos, que precisam ser submetidos à análise de laboratórios credenciados para atestar a qualidade.

Desse modo, o momento de pagar tais custos pode acontecer antes do embarque ou depois da chegada no terminal de destino.

Quanto “pesa” em porcentagem cada um desses custos de importação?

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São tantas as variáveis que não é possível responder isso de forma geral.

Se o seu estudo de viabilidade mudar uma informação como a classificação fiscal, modo e país de embarque, será necessário revisar os custos quase que por completo.

A não ser que pergunte especificamente para alguém que já realizou a operação nos moldes que pretenda realizar. 

Fora isso, desconfie de quem diz saber.

E você, amiga(o)?

O texto faz parta da série “Beabá do Comex” e não me permite aprofundar demais sem que vire uma chata monografia.

No entanto, sinta-se à vontade para complementar o assunto nos comentários. Gostou do texto? Qual custo mais dá trabalho orçar ou mais dói no bolso?

Este artigo foi escrito com a turma da LogComex e publicado originalmente em blog.logcomex.com

O que é desembaraço aduaneiro na importação?

Entendo que existe, no cotidiano do Comércio Exterior, uma compreensão equivocada sobre o que é Desembaraço Aduaneiro.

Pode parecer papo de advogado chato se pagando de entendido, mas no cotidiano de e-mails e telefones durante um despacho aduaneiro de importação (e até exportação), pode levar a entendimentos que confundem, por exemplo, se já pode mandar o caminhão carregar porto.

Pois é, já dei o spoiler aqui… Desembaraço Aduaneiro não é sinônimo de Despacho Aduaneiro, independente do cabelo ser cacheado, fino, crespo, seco e com frizz.

O que é desembaraço aduaneiro?

Em suma, o Desembaraço Aduaneiro na Importação é o ato que conclui a conferência aduaneira (Art. 571, do Regulamento Aduaneiro, RA), após essa conclusão será emitido, via Siscomex, a emissão do Comprovante de Importação (§2o).

Portanto, o Desembaraço Aduaneiro é a conclusão do Despacho Aduaneiro, é aquela etapa que, quando alcançada, faz todo Despachante Aduaneiro e Importador girar bombril em comemoração, depois e correr para emitirem a Nota Fiscal para o carregamento.

Ou só eu fazia isso (escondido dos pais) na infância?

É importante saber a diferença de nomenclatura, pois é a partir da data do Desembaraço que se contam prazos como:

  • Do Regime Aduaneiro de Admissão Temporária (Art. 360, RA);
  • Do Entreposto Aduaneiro (Art. 408, RA); ou
  • Do Depósito Afiançado (Art. 490, RA).

E por se tratar do final, vamos, é preciso voltar ao início para compreender a diferença.

Como funciona o despacho aduaneiro na importação até conseguir o desembaraço?

O Despacho de Importação é o trâmite que vai verificar se a declaração está em conformidade com a mercadoria e os documentos que a acompanham, bem como com a legislação específica que a rege (Art. 542, RA).

A fim de que a explicação se mantenha sucinta e prática para entender o que é Desembaraço Aduaneiro, vamos relevar diversas exceções e cuidados específicos que existem para cada produto, modo de embarque, terminal, legislação

Tenha isso em mente para seguirmos, ok?

Quando começa o despacho aduaneiro?

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O Despacho Aduaneiro começa na data depois que a Declaração de Importação foi registrada (Art. 545, RA), normalmente realizado pelo Despachante Aduaneiro do Importador.

Contudo, só será possível registrar a DI se:

  • tiver as informações do processo;
  • a(s) Licença(s) de Importação (LI) for(em) deferida(s);
  • tenha dinheiro em conta para pagar os tributos;
  • não haja discrepância nos módulos do Siscomex referente à carga (como um NCM incorreto declarado no Mercante); e
  • tenha recebido a presença de carga da área alfandegada onde a mercadoria encontra-se.

Em suma, precisa da papelada do processo, da carga ter chegado, de dinheiro, das informações em conformidade e, se tiver LI, precisa estar deferida.

Quais os documentos necessários?

Disse acima “informações do processo” pois, na prática, você não precisa dos documentos físicos para iniciar o Despacho Aduaneiro.

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Sério, pergunte para qualquer Despachante Aduaneiro se ele já não teve que registrar DI (contra a vontade dele), com informação recebida por e-mail, post-it ou até zapzap.

O importante, a princípio, é ter a informação, e de preferência correta… agora se isso vai acabar bem, aí são outros five hundreds.

Mas se o processo parametrizar em canal diferente de verde, corre que será necessário apresentar a tríplice primordial (Art. 553 + E, VIII, Art. 728, RA):

  • Fatura Comercial;
  • Conhecimento de Embarque; e
  • Romaneio de Carga (Packing List).

Consta também da legislação a necessidade de apresentar o comprovante de pagamento de tributos, mas como é pago via Siscomex, são poucas as situações em que realmente precise apresentar. Por certo, importante fazer uma menção honrosa ao Certificado de Origem e demais documentos necessários em decorrência de acordos internacionais ou por força de lei.

E pare de pedir para o Exportador assinar o Packing List! Não há nenhuma lei exigindo isso (a não ser que teu fiscal esteja encrencando)… já basta a Fatura Comercial para nos envergonhar.

Onde ocorre o desembaraço aduaneiro?

Image by skeeze from Pixabay

Tanto a condução do Despacho quanto sua conclusão no Desembaraço Aduaneiro, ocorre via Siscomex, desde 1997 a papelada na Importação vem sendo reduzida.

Enquanto esse trâmite ocorre, a carga estará na área alfandegada que foi informada estar na D.I e não! Não dá para informar um local diferente, é por ideias malandras assim que existe a presença de carga.

Quem faz o desembaraço aduaneiro?

Uma vez que cabe à Receita Federal analisar a conformidade das informações da DI, dos documentos e recolhimento dos tributos federais, é também responsabilidade dela de conceder o Desembaraço Aduaneiro.

Mas ainda dependerá de outros trâmites para que consiga realizar o carregamento da mercadoria, tais como o pagamento do ICMS, do frete internacional, da avaria grossa (espero que não tenha) e dos serviços do terminal alfandegado.

Quantos dias demora para conseguir o desembaraço aduaneiro?

Se teu processo parametrizar verde, é possível iniciar o Despacho, conseguir o Desembaraço Aduaneiro e carregar a mercadoria no mesmo dia, em questão de horas.

Por outro lado, se cair em canal vermelho, durante uma greve da Receita Federal e o fiscal ainda exigir a análise de um perito, é capaz de demorar mais que um frete marítimo Busan>Santos com direito a pinga-pinga, transbordo e ataque pirata no chifre da África.

Lá naquela região que o Tom Hanks teve seu navio container invadido em (Capitão Phillips), antes disso tentou a vida como piloto de avião (Sully: O Herói do Rio Hudson) e antes disso ainda naufragou após a queda de avião da Fedex (Náufrago).

Que cara mais zica para transporte internacional…

O Despacho Aduaneiro é um dos momentos mais tensos, complexos e sensíveis de uma Importação, por isso não é possível dizer quanto tempo vai levar até conseguir o Desembaraço: além da parametrização, há mais fatores que influenciam:

  • modo de embarque;
  • tamanho da DI (se não tiver um sistema para ajudar, complica);
  • variedade de produtos;
  • agilidade logística e administrativa do terminal alfandegado; ou
  • se o fiscal dormiu de calça jeans.

Uma solução é perguntar para seu Despachante Aduaneiro ou Consultor de Importação quanto tempo outros clientes com operação e produto similar ao seu estão levando no caso de canal verde e vermelho (melhor e pior cenários).

E você amiga(o)?

Ficou claro o que é Desembaraço Aduaneiro? Promete que não vai mais chamar de Despacho? Manja do assunto e deseja complementar com sua experiência? Fique à vontade nos comentários!

Este artigo foi escrito para a GETT e foi publicado originalmente em seu Blog.

Certificação GPTW, por que precisamos nos preocupar com o ambiente de trabalho?

Infelizmente, ainda não tive a oportunidade de trabalhar numa empresa com certificação GPTW.

Por outro lado, fez parte da minha carreira ser demitido de uma empresa que eu amava trabalhar e que estava passando por uma crise, bem como pedi demissão de outra que foi responsável por me fazer chorar ao menos uma vez por semana, por uns bons meses.

E poucos anos no mercado de trabalho são suficientes para sabermos que situações desse tipo são comuns.

Nesse texto, explicaremos o que é o GPTW, mostraremos que um bom ambiente de trabalho não diz respeito apenas a estrutura, que a certificação não é coisa de empresa grande e que, não é frescura se preocupar com os sentimentos de quem passa o dia contigo.

O que é GPTW?

GPTW é a sigla do inglês para Great Place To Work que, numa tradução brasileira bem sulista seria “Um baita lugar para trampar”.

Trata-se de uma empresa espalhada ao redor do globo que tem como propósito melhorar os resultados de seus clientes a partir da melhoria do ambiente de trabalho.

Partindo do pressuposto que, lógico, você já entendeu que não há nada mais importante na sua empresa que as pessoas 🙂

Este trabalho é realizado através de consultoria que, inicialmente avaliará o ambiente de trabalho através de entrevistas e pesquisas com os colaboradores.

Com base nas respostas obtidas (anonimamente!), com base nas dimensões e práticas culturais da GPTW e com o suporte da consultoria, você saberá o que é preciso melhorar e o plano de ação para que, na próxima avaliação, tenha resultados melhores.

Dimensões e práticas Culturais - GPTW

Considerando que realize este plano com sucesso, sua nota subirá nas futuras avaliações até o patamar de receber a certificação GPTW.

O que significa uma empresa ser GPTW?

Da mesma forma que produtos possuem Certificado de Análise, certificações como ISO e OEA, é preciso que um terceiro com credibilidade e isento de interesse faça essa avaliação.

Ou nossos pais nos responderam com sinceridade a primeira vez que perguntamos sobre nossa beleza?

“É sim, Jonas, eles riem de você por inveja”

Dona Idile Vieira, Xanxerê, SC – 1996.

A empresa que possui a certificação GPTW mostra ao mercado que ela tem um ambiente de trabalho aprovado pelos próprios colaboradores.

E não se trata de engessar a cultura, estilo, branding e blablabla num modelo aprovado, tampouco há nota maior para empresas razão de seu porte, faturamento ou que possuam uma sala de lazer com mesa de sinuca, escorregador e um panda para abraçar.

A qualidade da estrutura é importante, porém, o que conta de verdade na avaliação são as ações, as práticas, as experiências, os momentos

Reflita por um instante! Os momentos mais importantes da sua vida são assim considerados por causa do local ou da experiência que você teve neles?

Quais os benefícios da Certificação GPTW?

GPTW

A depender do segmento da empresa e diversos outros fatores, os benefícios alcançados variam e o resultado vai depender de um acompanhamento sério dos números.

Mas não há o que se duvidar: melhorar o ambiente de trabalho tem sim retornos comerciais e financeiros, especialmente por tratar de aspectos que nem todos estão acostumados a se preocupar.

Atração e Retenção de Talentos.

É complicado, na prática, descobrir como é o clima de trabalho ou os benefícios (ainda que indiretos) de uma empresa que tenha interesse em trabalhar, afinal será preciso perguntar para alguém que está lá dentro e, a depender do nível de intimidade, não receberá uma resposta segura, ou resposta alguma.

Enfim, a certificação GPTW não significa que a empresa é perfeita para todos, mas o ajudará para que futuros colaboradores sintam-se mais seguros antes de pedir demissão do trabalho atual.

Consequentemente, irá atrair os melhores profissionais, porque os melhores, podem se dar ao luxo de serem mais exigentes*.

*Não é uma verdade absoluta, ok?

Mas de nada adianta atrair profissionais, se eles não ficarem. Sabe como o turnover é custoso, não só pela admissão e demissão, mas também pelo tempo despendido para que esse novo profissional venha render ao máximo.

Falando nisso…

Aumento do engajamento.

Um estudo da Gallup diz que apenas 27% dos colaboradores da América Latina se sentem engajados em seus trabalhos, ou seja, 73% não está dando seu máximo porque não se sente parte da empresa.

E quando digo “dar seu máximo” é por querer fazê-lo, não por “motivação” na base de metas e pressões que beiram o assédio.

Photo by Clark Tibbs on Unsplash

Quando o ambiente de trabalho favorece o engajamento, nos inspiramos a fazer mais e, naturalmente, essa ação vira exemplo que inspira colegas e até profissionais fora da empresa.

Segurança no serviço.

Como cliente, digo que não é preciso muita sensibilidade para notar a diferença na qualidade de serviço quando a pessoa ama o lugar que trabalha.

É outra a maneira de te ouvir, de conversar, de tentar resolver seu problema e até de admitir que tem algo errado, porque este profissional se sente seguro o bastante para admitir erros.

E, se for preciso eleger um sentimento para predominar nas minhas operações de Comércio Exterior, eu fico com a segurança. Se eu sinto segurança no serviço prestado (que se concretiza na execução), por que eu, cliente, vou pensar em ir atrás de outra empresa?

Economia financeira.

Photo by Michael Longmire on Unsplash

Os benefícios anteriormente mencionados possuem evidentes retornos financeiros, vamos então falar de salário… importantíssimo, não?

Então, não é bem assim… essa pesquisa mostra que os principais fatores de permanência de um colaborador em empresas com a certificação GPTW são “Oportunidade de Crescimento” e “Qualidade de Vida”.

Salário está em penúltimo, ao passo que vemos e passamos por situações como essa:

  • Um colaborador está insatisfeito;
  • Ele é importante para empresa, então recebe um aumento;
  • Ele usa a grana para lidar com seu problema do jeito errado: cerveja, pizza, vídeo game, viagens, baladinha top;
  • Os “remédios” aplicados não resolvem a insatisfação, que evoluindo para stress e/ou ansiedade…
  • O dinheiro do aumento começa ser usado agora para médicos e tratamentos.

Talvez esse aumento sequer fosse necessário, se antes a empresa tivesse realmente atendido algum anseio do seu colaborador, que de fato lhe desse maior qualidade de vida e que provavelmente custaria menos que o aumento.

São “experenciando” situações assim que começamos a entender que dinheiro não é tudo e buscamos outras oportunidades que realmente proporcionem essa qualidade de vida.

Como posso certificar minha empresa como GPTW?

Robert Levering – Fundador da GPTW.

Pode parecer suspeito ver essa frase do próprio fundador da GPTW, mas é real! Essa Certificação não é coisa apenas para Google, Nubank ou Netflix.

Expliquei anteriormente que o que conta mesmo são as ações, mas se preferir ver com seus próprios olhos (depois de ler esse texto até o final, ok?): acesse o site e clique em “Ranking”, ao aplicar os filtros verá que há empresas de todos os portes e setores, e bem provável que alguma se pareça com a sua.

Para conseguir a Certificação GPTW comece entrando em contato com eles na seção “Jornada”, é uma conversa inicial sobre como eles podem te ajudar.

Posteriormente, eles aplicarão uma pesquisa para que consigam identificar o que precisa ser melhorado em seu ambiente de trabalho.

A princípio, se sua nota for alta o bastante, receberá a Certificação, mas, se você julgar necessário, eles oferecem consultoria para lhe ajudar a melhorar sua nota na próxima avaliação.

Qual a diferença entre a Certificação e o Ranking?

Antes de mais nada, entenda que são coisas diferentes, a sua Certificação não depende da pontuação de outras empresas, a análise e evolução levará em conta apenas os seus dados.

O selo entregue não virá com uma nota ou Ranking.

Contudo, o resultado da pesquisa aplicada na sua empresa mostrará também como foi a pontuação comparada às melhores colocadas, que possuam perfil similar ao seu (sem citar nomes), apenas para lhe ajudar com mais conteúdo.

Enfim, o Ranking é uma competição, claro que ganhar o prêmio é satisfatório e vai fazer muito bem à sua imagem, mas o foco é evoluir consigo mesmo.

Cuide das pessoas.

Photo by Ali Yahya on Unsplash

Esse texto não é um “publieditorial” da GPTW, o objetivo aqui foi apresentar uma metodologia porque entendo ser importante tornar melhor o ambiente de trabalho no Comércio Exterior, pois o que acontece fora dele e em razão dele já estressa o bastante!

Ah, mas o Comex é assim mesmo!

Você pode acreditar nisso, ignorar o problema e seguir rindo dos memes, porém, saiba que há empresas atrás dessa mudança, que hoje ainda é um diferencial, mas amanhã será obrigação.

Não à toa que o meu texto A Sociedade do Cansaço está presente no Comércio Exterior foi um dos meus textos mais lidos e comentados no LinkedIn.

Tanto foi que conversei no podcast Radar Comex com os principais responsáveis pela Certificação nas empresas: Inova Despachos, Next Shipping e LogComex (você pode ouvir o episódio via Spotify, Deezer e diversos outros agregadores de podcast).

Radar Comex – GPTW e a criação de um ambiente de trabalho que amamos estar.

E você, amiga(o)?

Como é seu ambiente de trabalho (tendo ou não a certificação GPTW)? O que te faz querer continuar numa empresa ou o que te motivou a sair de algum lugar?

Conte-nos sua história nos comentários, isso é tão (ou até mais) importante quanto conhecer o Regulamento Aduaneiro 🙂

Esse artigo foi escrito para minhas amigas e amigos da Inova Despachos.

Valor Aduaneiro na importação, o que preciso saber?

Considerando que você não é um desapegado ao dinheiro que embarca mercadorias para depois calcular o custo, a necessidade de saber do Valor Aduaneiro na Importação começa no planejamento da operação.

Da mesma forma que é importante para o Despacho Aduaneiro, esta é uma das principais informações verificadas pela Receita Federal e que podem parametrizar sua importação no canal cinza.

“Toda mercadoria submetida a despacho de importação está sujeita ao controle do correspondente Valor Aduaneiro“.

Art. 76 – Regulamento Aduaneiro

Ciente de que esse assunto é digno de sono nas salas de aula, vou dividi-lo em 5 perguntas frequentes para que analisemos o primordial e você consiga se aprofundar por conta própria.

1 – Por que preciso saber o Valor Aduaneiro na Importação?

É com base no valor aduaneiro que se calcula a maior parte dos custos da importação, sem sabê-lo, não é possível estimar o valor, por exemplo:

E caso você saiba o total do Valor Aduaneiro, porém desconheça o valor de cada custo separadamente( comum de ocorrer nos odiados embarques prepaids), além de comprometer o cálculo dos custos por certo que impossibilitará o início do Despacho Aduaneiro.

Se alguém lhe pedir para levantar os custos de importação sabendo apenas o valor do produto, não será possível entregar uma estimativa confiável.

Pois o Siscomex não vai aceitar que você preencha “ vendo aqui e depois te aviso” no sistema, o que nos leva ao segundo questionamento para resumir a importância do Valor Aduaneiro de forma prática.

2-Como surgiu o Valor Aduaneiro?

O controle a que se refere o caput consiste na verificação da conformidade do valor aduaneiro declarado pelo importador com as regras estabelecidas no Acordo de Valoração Aduaneira.

Parágrafo único, Art. 76, Regulamento Aduaneiro

O Valor Aduaneiro da forma como utilizamos atualmente é oriundo da Rodada Uruguai de Negociações Comerciais Multilaterais do GATT, assinada em Marraquexe, em 12 de abril de 1994, e passou a vigorar nesse sentido no Brasil a partir do Decreto Nº 1.355/1994, nos arts. 76 e seguintes do Regulamento Aduaneiro.

E, neste sentido, é importante conhecer a existência das legislações abaixo, ainda mais se ocorrerem conflitos no Controle Aduaneiro:

  • IN SRF 327/2003 – Normas e procedimentos para a declaração e o controle do Valor Aduaneiro de mercadoria importada.
  • Coana 27/2003 – Roteiro para preparo de ação fiscal de exame do Valor Aduaneiro nos casos que estabelece.

3-Como calcular o Valor Aduaneiro?

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“O Valor Aduaneiro, base de cálculo do Imposto de Importação, é o valor da mercadoria importada(…) e, independentemente do método de valoração aduaneira utilizado, serão incluídos os seguintes elementos (…)”.

Art. 2º e 4º, IN SRF 327/2003

Em suma do que a legislação acima estabelece, o Valor Aduaneiro é composto dos seguintes custos:

  • Valor da Mercadoria;
  • Transporte internacional até o recinto alfandegado em que será realizada a nacionalização;
  • Gastos relativos à carga, descarga e manuseio associados ao transporte, até a chegada aos locais referidos; e
  • Seguro durante as operações de transporte de movimentação de carga acima mencionadas.

Essa legislação é de grande importância pois explica quais custos derivados da compra devem ou não ser associados aos Valor Aduaneiro, por exemplo:

“Juros em virtude de financiamento e encargos relativos à construção e montagem não devem ser considerados parte do VA”.

Art. 5º e 6º, IN SRF 327/2003

É muito comum Exportadores ofertarem na fatura proforma suas mercadorias com esses dois custos inclusos, sem informá-los por fora, resultando em um Valor Aduaneiro maior e, por consequência, também serão maiores os custos de importação calculados a partir dele.

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E não adianta culpar o Despachante Aduaneiro ou seu Consultor de Importação, uma vez que cabe ao Importador explicar a operação para que o Despachante ou o Consultor detecte estas oportunidades de redução.

Assim como não importa o INCOTERMS utilizado, ou se foi o Exportador que pagou o frete (Prepaid), não há como fugir de adicionar estes custos principais ao Valor Aduaneiro, contudo, precisamos falar…

Do conflito de entendimentos sobre Capatazia integrar ou não o Valor Aduaneiro.

Capatazia: atividade de movimentação de mercadorias nas instalações dentro do porto, compreendendo o recebimento, conferência, transporte interno, abertura de volumes para a conferência aduaneira, manipulação, arrumação e entrega, bem como o carregamento e descarga de embarcações, quando efetuados por aparelhamento portuário;

Inciso I, Art. 40, Lei 12.815 – 05/06/13

O conflito entre o Acordo de Valoração Aduaneira e a IN 327/2003 mostra que a novela da Capatazia é um dos melhores exemplos para ilustrar a insegurança jurídica que existe no Comércio Exterior.

Em março de 2018 o STJ decidiu por excluir os gastos com Capatazia do Valor Aduaneiro na Importação, por entender em princípio que “o limite para a inclusão dos custos de transporte, e de custos a ele associados, como disposto, é a chegada da mercadoria ao porto ou aeroporto alfandegado de descarga, no país importador, a partir desse momento, os valores despendidos com a movimentação da mercadoria não mais poderão ser incluídos no valor aduaneiro”.

Todos comemoraram a decisão, as consultorias e escritórios de advocacia aceleraram o levantamento de gastos com Capatazia para solicitar a recuperação para seus clientes… contudo, notícia boa no Comércio Exterior não dura muito.

Dois anos depois o entendimento foi alterado e, novamente, a Capatazia voltou a integrar o Valor Aduaneiro.

No entanto, vamos voltar ao foco inicial, a fim de que esse conflito não tome o assunto do texto por completo.

4 – Valor Aduaneiro e Valor CIF são a mesma coisa?

Com o intuito de simplificar a conversa com quem não é do Comércio Exterior existe o costume de se referir ao mesmo como Valor CIF.

Com o intuito de simplificar a conversa com quem não é do Comércio Exterior existe o costume de se referir ao mesmo como Valor CIF.

  • – Consagrada, me passa o Valor CIF para calcular a armazenagem para o cliente.
  • – Campeão, sem o Valor CIF eu não consigo estimar os impostos pra ti!
  • – Esse Despacho Aduaneiro vai te custar x% do seu CIF.
INCOTERMS 2020 CIF
internationalcommercialterms.guru/

O INCOTERMS CIF significa que o Vendedor é o responsável pelos custos de manuseio, frete e seguro até o porto de destino, os mesmos custos que compõem o Valor Aduaneiro. Portanto, para o uso cotidiano e sem apego ao juridiquês é seguro, sim, dizer que o Valor Aduaneiro e Valor CIF são a mesma coisa.

Desde que você adicione a Capatazia em ambos! E continue acompanhando os próximos capítulos desta novela.

5 – Basta eu saber o Valor Aduaneiro na Importação e a NCM para calcular todos os custos?

Não, porém, está quase lá.

Muitas vezes conseguir estas informações por parte do Exportador pode demorar bastante, e ainda corre o risco de recebe-las incorretamente (especialmente a NCM), mas supondo que estejam corretas, já será possível descobrir 3/4 de todo o custo.

O que mais falta aqui, em suma, são as informações da carga para efeito logístico, tais como: dimensões, peso bruto, tipo de embalagem, se possível empilhar, se é carga perigosa… são informações que vão afetar seus custos em terminal alfandegado, transporte rodoviário e movimentação de carga.

E, não, mesmo sabendo 3/4 dos custos não dá para “chutar” o valor dos custos logísticos! Afinal, Importação Formal não é como uma compra de bugiganga no AliExpress, são necessárias todas as informações para não ter surpresas depois que o processo começar.

E você, amiga(o)?

Acha que corre o risco do STJ mudar novamente o entendimento sobre o Valor Aduaneiro na Importação? Já teve conflitos no Despacho Aduaneiro causado pelo VA? Divida conosco suas experiências nos comentários.

Este artigo foi escrito com a turma da LogComex e publicado originalmente em blog.logcomex.com

OKR, o que é e como aplicar no Comércio Exterior?

Muitos não sabem o que é OKR, mas fazem metade dele ao menos uma vez por ano.

Mais precisamente no último dia do ano, enquanto contemplam fogos de artifício, abraçam a família, tomam banhos indesejados de espumante e pulam sete ondinhas.

Ler mais livros, fazer exercícios, viajar com a família para Disney, Buenos Aires ou Europa enfim, todos aqui já estabeleceram metas no réveillon – que morreram antes mesmo do carnaval.

Mas eles morreram por faltar aplicar a outra parte do OKR… sério, para fins pessoais esse texto bastará. Contudo, como estamos falando de Comércio Exterior, com o texto vou lhe explicar o que é OKR e dar bons exemplos práticos paraaplica-lo em nosso ramo e nas Importações.

O que é OKR?

Photo by Startaê Team on Unsplash

(…)OKR, sigla para Objectives and Key Results (Objetivos e Resultados-Chave, em português) é um protocolo colaborativo de definição de metas para empresas, equipes e indivíduos.

Avalie o que importa – John E. Doerr

Ao nos depararmos com estas siglas e palavras em inglês pensamos ser algum termo da moda no momento, porém não é o caso aqui.

O termo foi cunhado na década de 70 por Andy Grove, quando ele trabalhava na Intel. O livro mais popular sobre o assunto foi escrito por John E. Doerr, que também trabalhou na Intel, em que ele relata como aplicou a metodologia OKR na Google em 1999.

Pois é, se você tinha idade e acesso à internet nesse ano vai lembrar que pesquisávamos apenas no Cadê, Aonde ou Altavista.

Uma metodologia de gestão que ajuda a garantir que a empresa concentre esforços nas mesmas questões importantes em toda a organização.

Avalie o que importa – John E. Doerr

Sabendo os objetivos e como alcançá-los, alguns dos benefícios de utilizar OKR são:

  • Melhora no alinhamento e comunicação entre setores e hierarquias;
  • Aumento do foco ao aplicar as energias nos objetivos;
  • Maior transparência entre colaboradores e setores;
  • Estímulo à maior produtividade e prática das culturas da empresa.

Melhorar o alinhamento e comunicação reduz conflitos e o vício de pensar apenas em si mesmo; quando se tem foco nos objetivos aprende-se a ignorar o desnecessário; com transparência reduz-se a desconfiança e todas asresponsabilidades passam a ter dono; e, diante de todas estas qualidades, conquista-se uma boa produtividade (que vai além de se preocupar com as metas) e a genuína preocupação por parte dos colaboradores de exercerem a cultura da empresa.

Mas não se deslumbre com OKR.

Antes de continuarmos, note que as palavras metodologia e protocolo estão em negrito, isso quer dizer que OKR é uma ferramenta e ela sozinha não vai resolver os problemas de sua empresa – independentemente do nível que deseje aplicá-la (empresarial, setorial ou individual).

É necessário haver um ambiente de trabalho agradável, lideranças que inspirem, colaboradores com soft skills desenvolvidas e estratégia na execução.

A estrutura de um OKR.

A estrutura de um OKR é divido em Objetivo e Resultados-Chave.

Objetivos são aquilo que você deseja alcançar, a direção, eles costumam ser abrangentes ou abertos, ao contrário dos Resultados-Chave, que são a forma de mensurar o alcance deste objetivo.

Resultados-Chaves devem ser mensuráveis, no final, você deve conseguir olhar, sem argumentação, se conseguiu ou não fazer isso, sim ou não. Simples, sem julgamentos.

Andy Grove (Livre tradução)

Importante dizer, um Objetivo pode, e muitas vezes deve, ter mais de um Resultados-Chave, a menos que ele seja muito específico e simplório.

E dentro de cada Resultado-Chave será necessário determinar as tarefas/ações a serem executadas para alcançá-lo.

Em suma, cada OKR será estruturado como abaixo:

  • Objective = Objetivo, sigla “O”
  • Key-Result = Resultado-Chave, sigla “KR”
  • Plan = Tarefa, ação, plano… Chame como fizer mais sentido.
Peguei essa imagem do blog de um trilheiro, só para vermos como é possível aplicar na vida pessoal.

Exemplos de como aplicar OKR no Comércio Exterior.

Agora que entendemos o que é OKR e sua estrutura, podemos conferir alguns exemplos de aplicação, tanto em nível pessoal quanto setorial.

Os subtítulos abaixo serão os Objetivos e apresentarei algumas ideias de Resultados-Chave e Tarefa…. ah, por favor, note que são exemplos que têm a finalidade de inspirar você a estudar mais sobre o tema e desenvolver os seus próprios para aplicar em sua empresa, setor ou pessoalmente.

Objetivo: Criar um Departamento de Qualidade para aumentar a eficiência operacional.

  • KR1 – Contratar Consultoria até o dia X
  • Tarefa – Buscar referências e realizar reunião com as cotadas
  • Tarefa – Cotar com 5 empresas
  • KR2 – Conseguir certificação ISO 9001 até X
  • Tarefa – Contratar especialista para o novo departamento (com ajuda da consultoria)
  • Tarefa – Treinar internamente colaboradores
  • Tarefa – Adquirir software para a gestão

Neste exemplo, cada KR e tarefa será executado de forma cronológica e as datas determinarão o sucesso da criação do departamento de forma funcional.

Afinal não adianta apenas contratar o profissional e querer que traga resultados, sem haver estrutura.

Foi também determinado datas, mas evidente que a falta de conhecimento no assunto, pode ser necessário alterá-la para algo dentro do possível.

Objetivo 1: reduzir os custos de venda no varejo dos produtos importados.

  • KR1 – Iniciar negociações com 2 novos exportadores.
  • Tarefa – Pedir amostra.
  • Tarefa – Negociar condições de entrega e pagamento.
  • KR2 – Embarcar mais FCL que LCL.
  • Tarefa – Negociar preço com os exportadores (aumento de volume).
  • Tarefa – Negociar valores FCL com nosso porto/terminal alfandegado de preferência.

No exemplo acima, ao comparar seus produtos com a concorrência, concluiu-se que é necessário reduzir os custos de Importação.

Como estratégia para os Resultados-Chave, foi determinado analisar a parte Comercial, procurando novos fornecedores, e a Logística, ao explorar mais o embarque Full Container (FCL), que permite um volume maior de produtos.

Objetivo 2: aumentar o engajamento entre colaboradores e diferentes setores.

  • KR1 – Criar o Clube da Leitura, para conversar mensalmente sobre um livro.
  • Tarefa – Encontrar interessados.
  • Tarefa – Determinar o primeiro líder do grupo (muda mensalmente).
  • Tarefa – Escolher o primeiro livro.
  • KR2 – Aulas de inglês dentro da empresa, 2x na semana.
  • Tarefa – Encontrar interessados.
  • Tarefa – Avaliar o nível de inglês dos interessados.
  • Tarefa – Contratar professor.
  • KR3 – Aniversariantes do mês.
  • Tarefa – Fazer sempre num dia surpresa.
  • Tarefa – Conferir restrições alimentares dos colaboradores.
  • KR4 – Criar 2 atividades mensais fora do escritório.
  • Tarefa – Coletar ideias com os colaboradores, o que eles gostam de fazer?
  • Tarefa – Fazer votação das ideias mais interessantes.
  • Tarefa – Criar KR para cada atividade.

De fato, que me empolguei aqui!

Mais importante que gastar criando uma sala com puffs, mesas de sinuca e videogames para a empresa, criar atividades são mais simples, menos custosas e geram aproximação entre os colaboradores.

Além disso, não adianta comprar um videogame, se os colaboradores sequer sabem quem é o Mário ou o Sonic.

Objetivo 3: Aumento fora da média das vendas

  • KR1 – Marketing – Fazer duas campanhas de anúncio nas Redes Sociais.
  • Tarefa – Impulsionar o alcance com publicações patrocinadas.
  • Tarefa – Elaborar conteúdo em artigos e vídeos.
  • Tarefa – Entregar o contato dos novos Leads ao Comercial.
  • KR2 – Comercial – Campanha 1, reduzir margem de lucro em 5% por 15 dias.
  • Tarefa – Avisar os clientes atuais por telefone e e-mail.
  • Tarefa – Pedir aos clientes atuais para seguir nossas redes sociais.
  • Tarefa – Ligar para os novos Leads captados pelo Marketing.
  • KR3 – Comercial – Campanha 2, reduzir margem de lucro em 20% para produtos há mais de 30 dias no estoque, por 5 dias.
  • Tarefa – Avisar os clientes atuais por telefone e e-mail.
  • Tarefa – Pedir aos clientes atuais para seguir nossas redes sociais.
  • Tarefa – Ligar para os novos Leads captados pelo Marketing.

Aqui vemos um exemplo de OKR para uma empresa que deseja expandir sua participação no mercado através do aumento de vendas e captação de novos leads em determinado período.

Para alcançar esse objetivo, os Resultados-Chave foram divididos por setor, naturalmente que os setores Marketing e Comercial deverão trabalhar em conjunto para alcançar seus KR.

Objetivo 4: Aprender inglês para falar por telefone com os compradores da Europa.

  • KR1 – Aulas 2x por semana a partir de semana que vem.
  • Tarefa – Fazer teste em plataformas online.
  • Tarefa – Se eu não gostar, buscar indicações de professores na região com amigos e colegas.
  • KR2 – Assistir todas as quintas um filme em inglês, com legendas em inglês
  • Tarefa – Assistir sozinho!
  • Tarefa – Pesquisar palavras que não entendi durante o filme.
  • KR3 – Assistir no sábado à tarde, 2 episódios de um seriado em inglês, com legendas em inglês.
  • Tarefa – Assistir sozinho!
  • Tarefa – Depois do quinto episódio, tentar assistir sem legendas.
  • KR4 – De segunda a sexta ouvir 10 minutos de música em inglês no horário do almoço, acompanhando as letras.
  • Tarefa – Escrever em inglês o que eu entendi sobre a letra da música.
  • Tarefa – Explicar em inglês o refrão.

Todos sabemos a importância desse idioma no Comércio Exterior, assim sendo, entendo que este OKR pode ser aplicado pessoalmente ou como um grupo de atividades para melhorar o idioma dos colaboradores.

Se a necessidade está em praticar a pronúncia e a conversação, é de fato necessário fazer aulas, quanto ao vocabulário e “ouvido”, filmes, séries e músicas vão ajudar.

E mesmo alguém que já tenha o inglês bem desenvolvido, é importante ter hábitos com intuito de manter a qualidade – já contei nesse texto quais são os meus.

Com toda certeza, seguindo rotinas simples como estas, seu inglês poderá estar bem melhor depois de 6 meses.

OKR precisam ser acompanhados!

Foto de Lukas no Pexels

Não adianta definir o Objetivo se não for feito o acompanhamento do trabalho efetivamente realizado em prol de alcançar os Resultados-Chave.

Da mesma forma que são realizadas reuniões sobre o andamento dos departamentos, é preciso acompanhar, em ciclos curtos, o progresso e correção dos erros das KR, bem como as atualizações regulares para ganhar visão e insights.

Sugestão de leitura: Avalie o que Importa, John Doerr.

Não sou especialista no assunto, mas já apliquei OKR nos setores de Comércio Exterior nas empresas em que trabalhei, e aplico atualmente como empreendedor, e sempre que realizei com o devido acompanhamento, tive avanços profissionais e, o melhor de tudo, mensuráveis.

Portanto, fica a sugestão de leitura para aprofundar o conhecimento e aplicar a metodologia com sucesso.

E você amiga(o)?

Ficou claro o que é OKR? Costuma criar KR para seus Objetivos de ano novo? Já aplicou para si mesmo ou no setor em que trabalha? Conte-nos sua experiência e exemplos nos comentários!

Este artigo foi escrito para a Prime Internacional e foi originalmente publicado em seu blog.

Carga projeto, o que é e quais são os principais cuidados?

A Carga Projeto é o que separa os adultos das crianças na logística internacional.

Não que embarques de mercadorias que caibam em pallets e contêineres Dry Box não sejam complexos, porém, logisticamente falando, estas tem um padrão físico para atender a maioria dos produtos e, desta forma, ter escala e celeridade.

Toda Importação e Exportação teoricamente precisa de um “projeto”, mas aqui o planejamento e acompanhamento são muito mais necessários, pois trata-se de uma operação muito mais sensível a contratempos, custos não previstos ou até sinistros.

O que é considerado carga projeto?

Image by wasi1370 from Pixabay

Carga Projeto é a denominação utilizada para mercadorias do tipo carga geral, que possuam peso e dimensões não compatíveis para serem transportadas em contêineres convencionais.

São as operações que normalmente necessitam de carreta rebaixada, container Flat Rack, um ou mais guindastes, não podem transitar por qualquer rua e muito menos serem transportadas por qualquer navio ou avião.

É comumente chamada, em inglês, de Project Cargo ou Break Bulk, mas o conceito de cada nome pode variar a depender do país e o tipo de mercadoria.

Quais os principais cuidados na operação de carga projeto?

A quantidade de cuidados necessários varia a depender das particularidades da operação.

Em virtude disso, vamos apresentar os cuidados mais abrangentes, para ter ciência do que esperar e ser possível alinhar as expectativas de forma condizente com a complexidade logística.

Seu planejamento e execução serão mais demorados que o normal.

Operações logísticas de Carga Projeto não são do tipo que você cota o frete internacional na segunda, escolhe o Agente de Carga na quarta e envia a instrução de embarque para embarcar na semana seguinte.

Tampouco bastará o Packing List para cotar a operação, é necessário saber também informações como:

  • Endereço completo e Estrutura do local de coleta e de destino final;
  • Fotos e desenho técnico;
  • Material de construção, pontos frágeis; e
  • Pontos de içamento e centro de gravidade.

Cabe ao Exportador entregar a mercadoria com embalagem segura o suficiente para se submeter à viagem internacional, mas será que ela é à prova dos buracos e roubos de carga para transitar em rodovias brasileiras?

Pois é, toda essa aventura de transporte, manuseios e movimentações precisam ser analisadas e planejadas.

As opções são limitadas.

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Não é toda a transportadora que possui carreta rebaixada, todo porto que consegue (ou deseja) atracar navio break bulk, tampouco pode-se transitar com carga volumosa em qualquer horário e, como se não bastasse, não é qualquer navio ou aeronave capaz de te atender a tal necessidade.

Inegavelmente, a redução de opções vai fazer com que a logística não flua com qualidade. Seguindo os exemplos acima, sua carga projeto pode ter dificuldades como:

  • Ter que optar por trabalhar com um porto mais distante de sua fábrica.
  • A carga estar pronta para carregar ou descarregar de manhã, mas a autorização de trânsito vigorar apenas para depois das 21:00.
  • O navio Break Bulk ter que esperar bastante para atracar, pois somente um píer do porto consegue recebê-lo.

Quanto maior a complexidade da operação, mais limitadas serão as opções de execução.

Logo, a operação se torna mais demorada e sua execução pode ocorrer de forma não tão eficiente como esperado, não apenas por falta de opção, mas também a fim de manter o custo dentro do orçamento e sem comprometer a segurança.

É preciso acompanhamento e registro.

Photo by form PxHere

Quem trabalha com Comércio Exterior já está acostumado a registrar tudo por e-mail ou via sistema, da mesma forma é preciso agir com Carga Projeto.

A empresa responsável pela execução da logística internacional deverá acompanhar pessoalmente o trabalho de seu pessoal e subcontratados, principalmente nas operações de carregamento e descarregamento.

O registro deve conter fotos e vídeos, assim como um diário relatando as operações: onde ocorreram, horário, equipamentos utilizados, pessoas e empresas envolvidas.

Registrar a operação é mais que uma prova de que foi executado conforme contratado, é também uma segurança para que, caso aconteça algum sinistro, seja possível detectar os responsáveis e acima de tudo, para que não ocorra novamente.

Atenção ao container utilizado.

Photo by elias on Unsplash

Caso esteja acostumado a embarcar com contêiner Dry Box e High Cube, por exemplo, e a sua operação de Carga Projeto necessite equipamentos como Flat Rack ou Plataforma, tome cuidado com os custos.

Naturalmente que equipamentos volumosos e pesados vão encarecer o frete doméstico e o internacional e, quanto a isso, é preciso analisar cuidadosamente os prestadores de serviço e suas propostas.

Mais especificamente, dentro desta análise é preciso atenção com o tempo do free time e valores de demurrage.

Portanto, é preciso estimar com precisão o tempo necessário para conseguir devolver as unidades vazias dentro do free time, não apenas mensurando a logística, mas também, o tempo que o despacho aduaneiro tomará.

E você amiga(o)?

Já realizou Importações ou Exportações de Carga Projeto? Pretende em breve fazer uma? Quais outros cuidados ou experiências teve nas suas operações? Vamos continuar a conversa nos comentários.

Este artigo foi escrito para a Conexo e foi publicado originalmente em seu Blog.

Guerra Comercial e Guerra Fria, qual a diferença?

Evidente que guerra comercial e guerra fria não são a mesma coisa, mas se existe algo em comum entre as duas é que ambas influenciaram fortemente o Brasil e, na verdade, o conflito comercial entre China e States continua afetando, porque ele não acabou.

Porém, seria possível este conflito comercial evoluir para uma guerra fria?

Não pretendo com este texto dar uma aula de história, mas apresentar os conceitos e as características mais relevantes de uma guerra comercial e de uma guerra fria para, por fim, tratar das diferenças, semelhanças e iniciar uma discussão sobre até que ponto ela poderia chegar.

O que foi a Guerra Fria?

Foi um conflito geopolítico e ideológico, que durou por volta de 40 anos, polarizado pelas superpotências Estados Unidos (Ocidente, Capitalismo e Tio Sam) e a União Soviética (Oriente, Socialista (Comunista Wannabe) e Vodka), caracterizado, neste ínterim, pela ausência de conflito armado DIRETO.

Tal qual duas crianças que não se bicam no parquinho, se ameaçam alegando quem era o mais rico, mais forte ou porque um de seus pais bateria no do outro, mas nunca indo para as vias de fato realmente.

Em razão das duas superpotências, na época, possuírem poder econômico e militar inalcançáveis por um terceiro, e por seguirem ideologias antagônicas, uma via a outra como o novo mal a se combater, mas essa luta acontecia, em suma, pela capacidade de atrair mais aliados para seu lado, especialmente com incentivos econômicos ou militares.

Tal qual (novamente) uma criança que compra a amizade de outra com chocolate, mas exige que ela não seja mais amiguinha daquela terceira que não a convidou para o seu aniversário. #quemnunca

Credita-se, em princípio, a criação do termo “Guerra Fria”, do inglês Cold War, a George Orwell no seu ensaio You and the Atomic Bomb (Você e a Bomba Atômica), publicado em 19 de outubro de 1945.

Sim, o mesmo George Orwell dos livros 1984 e a Revolução dos Bichos.

Livros George Orwell
Livros: Revolução dos Bichos e 1984

Quando a Guerra Fria começou?

Diferente das grandes guerras mundiais em que se declara um dia exato de início, não é o que acontece numa Guerra Fria.

A situação começou ainda na Segunda Guerra Mundial, quando a Aliança, formada principalmente pelos capitalistas Estados Unidos e Reino Unido, e a Comunista (ou o mais próximo que conseguiram aplicar da doutrina) União Soviética, lutaram contra o Eixo, formado principalmente por Alemanha, Itália e Japão.

Já era visível o antagonismo na doutrina dos Aliados, mas nada como uma ameaça em comum para uni-loso inimigo do meu inimigo é meu amigo, não é mesmo?

A propósito, diversos outros países tomaram parte na Aliança, inclusive o Brasil (e não foi pouco que lutamos).

Com o fim da Segunda Guerra e da ameaça que tinham em comum, começou a ficar evidente a tensão entre os dois países. E o clima piorou a partir de 1945 após ficar decidido como iriam dividir a derrotada Alemanha e, devido a importância da capital Berlim, a divisão também foi aplicada a ela.

Mapa político da Alemanha ocupada pós segunda guerra mundial.

Ou seja, EUA e União Soviética faziam fronteira, sendo separados pela Cortina de Ferro que dividia a Europa em Ocidental e Oriental.

“Em 1949, a Alemanha foi oficialmente retalhada em quatro partes (…), transformando-se no perfeito tubo de ensaiop que colocava lado a lado as doutrinas dos blocos comunista e capitalista. (…) Em setembro do mesmo ano, foi realizada a primeira explosão atômica da União Soviética, sendo que a divulgação oficial ocorreu apenas em 1950. Os holofotes do palco mundial agora voltavam-se para os Estadus Unidos e União Soviética, A Guerra Fria havia começado.”

Os 50 maiores erros da humanidade, pag 608.

Conforme a situação se tornava cada vez mais insustentável por diversas razões, a Alemanha Oriental decide no dia 13/Ago/1961 a construir um muro ao redor de Berlim, tornando-se esse um dos principais símbolos da Guerra Fria.

Quais são as características de uma Guerra Fria?

Como explicado, a Guerra Fria foi uma disputa geopolítica de Poder, tendo como justificativa a desculpa de que a ideologia do inimigo era uma ameaça às suas crenças e valores e, por haver o constante medo que uma delas iniciassem a III Guerra Mundial é que a frase do sociólogo francês ficou famosa ao definir a Guerra Fria:

“Guerra improvável, paz impossível.”

Raymond Aron

Esse conceito ficará claro nas características abaixo;

Polarização política.

Esta é inegavelmente a principal característica do período, você tinha que escolher um lado, nada de ”calma lá, não é bem assim“, se pensasse diferente do que seu país pregava você era um traidor e as consequências, a depender de onde vivesse, não se limitariam a perder amigos ou emprego.

Infelizmente, basta olhar ao nosso redor (ou no grupo do “zap” da família) para constar como esse aspecto ainda é deveras presente.

Corrida Armamentista e militar.

Em 1945, depois que os Estados Unidos lançaram duas bombas nucleares para forçar a rendição do Japão, ficou entendido que possuir esse tipo de arsenal era o novo determinante de “poderio militar”. A União Soviética não perdeu tempo e quatro anos depois já havia testado sua primeira bomba com sucesso (adiante saberemos como conseguiram o feito com tanta velocidade).

Mas não é apenas com bombas nucleares que um país se protege, ambos lados começaram a formar suas alianças militares, por isso surgiu do lado ocidental, em 1949, a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) e a turma da Foice e do Martelo iniciaram em 1955 o Pacto de Varsóvia.

O objetivo dessas alianças militares era para simplesmente dizer “se mexer comigo, vai ter que encarar meus amigos também”.

Países membros da OTAN (Azul) e Pacto de Varsóvia (Vermelho)
Países membros da OTAN (Azul) e Pacto de Varsóvia (Vermelho) Wikimedia

Ajuda econômica aos países aliados.

Dizer que um país entrou para OTAN ou para o Pacto de Varsóvia por motivos ideológicos e para combater o inimigo Comunista/Imperialista era apenas papo para as massas.

O que realmente incentivava estes países era o dinheiro e, novamente (veremos bastante ainda), os dois lados abriram seus caixas para financiar os países destruídos pela II Grande Guerra, tanto em infraestrutura quanto economicamente, ou ambos.

O que era o caso de quase todo mundo que participou.

Do lado do Tio Sam havia o Plano Marshal (1948), que não se limitou a ajudar apenas aliados, pois também financiou a Alemanha e o Japão.

Por parte do Bigode Grosso Stalinista, foi fundado, no ano seguinte, o Conselho para Assistência Econômica Mútua (COMECON).

Corrida Espacial

The Skylab 4/Saturn 1B space vehicle is launched from Pad B, Launch Complex 39, Kennedy Space Center, Florida, Nov. 16, 1973. Original from NASA. Digitally enhanced by rawpixel.

Este aspecto costuma ser citado como parte da Corrida Militar, pois dominar a ciência da explosão controlada de um foguete passa uma mensagem bem direta:

Olha aqui, mandei um foguete pro espaço com um satélite, PODERIA SER COM UMA OGIVA NUCLEAR.

Entretanto, acredito que a corrida para conquistar o espaço merece uma menção especial, ainda mais porque muita da tecnologia em comunicação e navegação foi oriunda desse período.

No quesito “primeiro”, ela foi primordialmente vencida pelo Programa Espacial Soviético, que foi o primeiro a:

  • lançar míssil intercontinental;
  • lançar satélite artificial;
  • mandar animal para o espaço;
  • mandar homem e depois mulher para o espaço;
  • caminhar no espaço; e
  • sofrer impacto na Lua.

Estes são só alguns exemplos do que o programa conquistou entre 1957 e 1959, mas nem sempre com muita transparência…

A cachorra Laika, morreu entre 5 e 7 horas depois do lançamento de seu foguete e isso só foi revelado no século XXI. ☹

Os 50 maiores erros da humanidade, pag 611.

Para recuperar o tempo perdido, os Estados Unidos fundaram a NASA em 1958 e, em pouco menos de 11 anos, o voo espacial tripulado Apollo 11 fez os primeiros homens caminharem na Lua.

Módulo Eagle, da Apollo 11, pousando na lua
A coragem para ser o primeiro em qualquer coisa que envolva ir para o espaço – Módulo Eagle, da Apollo 11, pousando na lua, NASA

Agências Secreta/Espionagem/Inteligência.

A espionagem moderna não começou na Guerra Fria, tanto que a espionagem soviética soube do Projeto Manhattan em 1939, antes mesmo do FBI.

As the top-secret plan to build the bomb, called the Manhattan Project, took shape in the United States, the Soviet spy ring got wind of it before the FBI knew of the secret program’s existence.

smithsonianmag.com/

Porém, tendo a Alemanha, especialmente Berlim como parquinho para brincar de gato e rato, as ações de espionagem escalaram sem precedentes – não à toa que CIA (1947), Stasi (1950) e KGB (1954) foram fundadas nesse período.

Reconhece esse agente da KGB?

Pode não ter havido confronto direto em guerras, mas embates, prisões e execuções no mundo da espionagem ocorreram entre os membros dessas agências e outras, como a Guonbu: (China) e MI6 (Reino Unido).

Bem como foram as responsáveis por operacionalizar as:

Guerras indiretas

Em alguns casos bastava enviar dinheiro e/ou armamento para que golpes ou revoluções em países querendo se livrar dos “malditos capitalistas/comunistas” surgissem.

Existiram conflitos armados onde soldados de um dos lados estava no fronte, todavia, não ocorreram em seus territórios, os exemplos mais conhecidos são:

  • Guerra da Coreia (1950), a do Vietnã (1959) e a do Afeganistão (1979);
  • Golpes Militares no Brasil, Argentina e Chile;
  • Revoluções Chinesas e Revolução Cubana

Golpe e Revolução não é a mesma coisa, se quiser saber a diferença, confira depois aqui.

Contudo, mesmo em se tratando de conflitos indiretos, houve momentos bastante preocupantes.

Como durante a crise dos Mísseis em Cuba, a tensão entre os dois países chegou num nível tão alto que, no ano seguinte, foi instalada uma linha direta entre Washington e Moscow, conhecida pelo nome Telefone Vermelho (Moscow – Washington Hotline), para que quaisquer tensões eminentes pudessem ser dissipadas com maior celeridade.

Raio de alcance dos mísseis soviéticos que seriam instalados em Cuba, durante a Guerra Fria.

Raio de alcance dos mísseis soviéticos que seriam instalados em Cuba – Historypros

Em suma, para que nenhum dos lados mandasse uma bomba nuclear na cabeça do outro por mal entendido é que havia essa linha direta de comunicação, pois ambos tinham ciência que, se um dos lados começasse uma guerra nuclear não ia sobrar muito de nenhum dos lados e nem de seus aliados.

E se você imaginou um telefone vermelho igual ao do seriado antigão do Batman, pode esquecer, era apenas figura de linguagem, tratava-se de um Telex.

O que é uma Guerra Comercial?

Conflito entre duas ou mais nações a respeito de barreiras tarifárias e/ou não tarifárias aplicadas entre as envolvidas, esse tipo de conflito normalmente ocorre quando s países em questão tentam melhorar as importações e exportações para si mesmas.

Tradução livre de businessdictionary.com

É uma manobra protecionista agressiva que encarece os produtos de quem exporta, consequentemente força importadores a adquirirem de outros países ou no mercado interno.

Seja manobra populista ou retaliação da outra parte que diz “foi ele que começou”, sabemos, no Comércio Exterior, que quem paga a conta dessa briga é o consumidor

Quando a Guerra Comercial China X Estados Unidos começou?

Sua vinda já era anunciada em 2016 pelo então candidato à presidência Donald Trump.

Em 2017, o presidente chinês Ursinho Pooh Xi Jiping visitou o já eleito presidente americano para dialogar sobre o assunto, mas, a despeito deste esforço, os Estados Unidos aplicaram, à partir de fevereiro de 2018, tarifas sobre produtos como painéis solares, máquinas de lavar roupa, aço e alumínio.

Se um dia eu tiver um visto chinês negado, será por ter usado essa imagem, não duvide.

As tarifas não foram direcionadas diretamente à China, mas foi o país mais afetado e foi assim que as retaliações começaram.

Se deseja acompanhar a linha do tempo dessa Guerra, pode conferir aqui.

Qual a diferença entre Guerra Fria e Guerra Comercial?

A Guerra Fria dividiu o mundo em dois, era preciso escolher um lado e muitos o fizeram especialmente para se reconstruir, se proteger ou se tornar independente.

E cada um destes lados se limitava a relacionar com seus amiguinhos do bloco.

Enquanto a Guerra Comercial são apenas duas grandes potências brigando comercialmente pela hegemonia do Comércio Internacional, contudo, diferente da Guerra Fria, estas duas são interdependentes.

Ou seja, os Estados Unidos financiam a continuidade do Partido Comunista Chinês no poder e a China financia os valores norte americanos, que já conhecemos de tanto assistirmos as produções hollywoodianas.

Tanto China quanto Estados Unidos são o principal destino das exportações de cada, além disso, a China é a principal financiadora da dívida norte americana.

Principais financiadores da dívida pública dos Estados Unidos. – Howmuch.net

Existe uma tensão comercial e diplomática? Sim, contudo, ela é tamanha a ponto de temermos uma III Grande Guerra por medo de um jogar uma bomba nuclear no outro?

Não.

Ou você jogaria uma bomba em quem te deve mais de um trilhão de dólares em dívida pública?

Ademais, outros países não precisam escolher um lado nessa briga, até porque é dela que surgem oportunidades comerciais para serem preenchidas por outras nações.

A Guerra Fria pode voltar?

Dizer nunca é sempre perigoso, a história é cíclica, mas não creio que viverei para testemunhar algo igual.

De fato, todas as características que listei da Guerra Fria continuam presentes até hoje, mas sem a “corrida”a daquela época. Um bom exemplo disso, é o orçamento anual da Nasa.

Porcentagem destinada a NASA do orçamento Federal, por ano – Research Gate

Hoje já é mais de uma dezena de países que possuem armas nucleares, é comum nações financiarem ou enviarem soldados para lutar longe de casa, a pesquisa espacial já é realizada por empresas privadas e difícil um país com estabilidade política não ter um serviço de inteligência.

Há quem chame a situação atual de Guerra Fria 2.0, devido as características citadas e por ela ocorrer muito mais de forma financeira, seja com dívidas públicas ou investimentos internacionais (papo para outro texto).

O que não podemos dizer é, que Guerra Comercial é uma Guerra Fria, isso é vacilo.

E você, amiga(o)?

O texto já está gigante e agradeço você por ter chegado até aqui, então que não seja em vão! Diga-me:

Por que outros motivos guerra fria e guerra comercial são diferentes? Pode essa Guerra Comercial virar Guerra Fria? Quero saber sua opinião nos comentários!

Este artigo foi escrito com os amigos da LogComex e publicado originalmente em blog.logcomex.com