dicas para não queimar seu marketing

Dicas para não queimar seu marketing no comércio exterior.

Qualquer pessoa que já usava o LinkedIn e outras redes sociais antes da pandemia notou como em 2020 surgiram muito mais páginas de pessoas ou empresas de Comércio Exterior que em anos anteriores.

Apesar de ter sido motivado pelo isolamento e pela impossibilidade de fazer vendas presencialmente, isso catalisou a importância de se fazer Marketing.

Porém, existem atitudes e estratégias que podem queimar sua marca logo de cara, causando um ranço passageiro ou até algo que te queime definitivamente tanto com a sua audiência, quanto com os motores de busca (como o Google) e as redes sociais.

Listei abaixo as atitudes que mais vejo serem praticadas pelos desavisados (ou malandros) e deixei minha visão do porque acho que isso lhe queima e o que pode ser feito no lugar.

Sacrificar a qualidade em prol da quantidade de conteúdo.

Se deseja desenvolver seu público no seu site e nas redes sociais, você precisará publicar com recorrência.

Não precisa necessariamente ser uma publicação por dia ou um artigo por semana (já fiz isso ano passado, quase pirei), mas é necessário um mínimo de rotina para crescer.

Um caminho fácil para alcançar essa meta é postar conteúdo sem profundidade, só para cumprir tabela, tipo um aluno que dorme na sala até a hora da chamada, ou seja, só faz volume e não agrega.

Alguns exemplos*:

  • Frases motivacionais;
  • Repost/Compartilhamento;
  • Explicar o que é REPETRO num texto com menos de 1200 caracteres publicado;

*Sim, você pode argumentar sobre os exemplos que dei, tô ligado, mas convenhamos que não são marcantes.

Por que isso te queima?

Comecei com o mais leve de todos pois isso está longe de causar um cancelamento.

Contudo, se insistir no conteúdo raso visando quantidade ele se tornará chato, tal qual um filme sem ritmo que deixa aquela sensação de que não acaba nunca.

E filmes chatos são esquecidos, você também será.

O que fazer no lugar?

Tem espaço para todo mundo na internet, mas você será engolido pelos demais se não buscar profundidade.

Respeite sua capacidade atual e não tente dar um passo maior que a perna: faça um bom post semanal, um vídeo, podcast ou artigo quinzenal.

Se quiser mais conteúdo por período sem perder qualidade, então dedique mais tempo ou invi$ta mais no seu Marketing.

Desmerecer indiretamente o trabalho dos outros.

  • “O que NINGUÉM te fala sobre…”
  • “O MELHOR curso…”
  • “A sua PRINCIPAL referência em…”

Com certeza você já viu descrição de perfis, publicações e até mesmo cursos com frases assim, que utilizam de uma das estratégias mais sem vergonha manjadas de Copywriting para agregar valor e causar impacto.

Por que isso te queima?

O primeiro problema está em observar quem é o público que consome seu conteúdo, se você ou seu material não for esse “bichão” todo que diz ser, não cumprirá com a sua promessa.

E o ranço que alguém ‘pega’ por se sentir enganado é inevitável e pode ser permanente.

Segundo que tais títulos desmerecem ou se comportam como se outros produtores de conteúdo não existissem, ou dão a impressão que você conhece o conteúdo de todos os outros para dizer que o seu é o Melhor ou Único, o que é mentira.

O que fazer no lugar?

Se o seu conteúdo tiver qualidade, ele vai ser o melhor para alguém, mas, se ainda assim faz questão de usar essa estratégia, experimente usar a si próprio como referência, por exemplo:

  • “O que NUNCA te falei sobre…”
  • “Esse é o MELHOR curso que fiz até agora…”
  • “Meu propósito é ser sua PRINCIPAL referência…”

Viu como não precisa muito para não parecer um babaca? 😊

Se comunicar como se fosse a Anitta do Comércio Exterior.

Trata-se de outra estratégia (mais cansativa que live de Sertanejo Universitário) para se pagar de famosão se comportar como se tivesse milhões de seguidores e um engajamento surreal.

  • ”Muitas pessoas me perguntam…”
  • “Atendendo a diversos pedidos…”
  • “O post viralizou!”

Por que isso te queima?

Basta uma rápida análise de números para comprovar que a história está sendo aumentada.

Se, digamos, você tem 1000 seguidores (reais, falaremos disso adiante), com uma média de 40 curtidas e 3 comentários (excluindo seus pais e amigos dando uma força), é difícil acreditar que teu perfil (criado há menos de 6 meses), receba toda semana uma enxurrada de perguntas e pedidos.

O que fazer no lugar?

Você não precisa que ninguém te peça ou pergunte nada para tratar de um assunto que você gosta!

Aliás, se UMA pessoa perguntou é provável que mais alguém tenha essa dúvida e já vale a pena tratar do tema.

Portanto, experimente dizer:

  • “Uma pessoa me perguntou…”
  • “O tema dessa semana é X pois gosto muito de falar dele…”
  • “Estou feliz pois nunca tive tantos comentários num post antes!”

Além de ser pé no chão, humaniza a forma como você se comunica.

Tratar de assuntos que não domina, como se fosse um especialista.

Não importa a área, sempre existirão temas que estarão em alta e que, se você falar deles, vai atrair uma quantidade de seguidores maior que o normal. Exemplos disso dentro do Comex:

Frete China>>Brasil, Siscoserv desativado, DUIMP, Dólar, Greves, Eleições dos EUA…

Entendeu, né?

Mas convenhamos que, pelo menos nesses exemplos acima, é muito difícil que um único profissional de Comércio Exterior domine todos de verdade, certo?

E é aí que mora o perigo: querer forçar dominância num assunto que não tem.

Por que isso te queima?

Na melhor das hipóteses soará como um conteúdo raso e, no pior caso, é bem possível acabar dizendo uma besteira que pode trazer repercussões negativas.

O que fazer no lugar?

Não há problema em expor seus pensamentos num assunto que não domine, mas ao fazê-lo deixe claro que você é apenas um entusiasta e com limitado conhecimento no tema.

Você pode aproveitar a oportunidade para recomendar alguém bom no assunto e fazer um networking legal.

Foque no que você manja, por mais nichado que o assunto seja, com certeza tem muito o que se falar a respeito dele.

Quando comecei a escrever tive medo de ficar sem assunto depois de 20 artigos.

Já passei de 100.

Comprar seguidores, curtidas e comentários.

Agora entramos no Top 3 Baixaria que nem pós sol resolve a queimação.

Ao levar suas redes sociais mais a sério é questão de tempo até que algum perfil estranho te aborde com uma oportunidade única de encher teu perfil de seguidores, curtidas e comentários.

Basta pagar para receber toneladas de seguidores falsos, bots ou gente que nem sabe como começou a te seguir e sequer tem interesse no seu conteúdo.

Legal né? Passar de 10k seguidores no Insta só para poder habilitar o “arrasta pra cima”…

Não!

Por que isso te queima?

Primeiro que te queima com a rede social, o algoritmo consegue detectar que algo externo está inflando seu perfil artificialmente e pune você, seja com a redução do seu alcance ou até mesmo suspendendo indefinidamente sua conta.

Isso também te queima com as pessoas, pois o que você está mostrando é uma mentira, fruto de uma malandragem de quem deseja provar autoridade com números artificiais… e aí te pergunto:

Como vou confiar em você, se você mente sobre seus números?

E não venha pensando que “ninguém vai notar”, qualquer um que use uma rede social com frequência e manje o mínimo dos paranauês vai bater o olho na sua quantidade de seguidores, comparar com curtidas e comentários e saber que tem algo errado.

Além disso, existem sites que analisam seu crescimento histórico, como podemos ver abaixo:

Este é o Socialblade.com, e um dos gráficos que ele fornece é do ganho mensal de seguidores.

O exemplo acima é de um perfil X que até outubro não tinha 4 mil seguidores, quando ultrapassou 10 mil… e não, ele não foi chamado para participar do BBB.

O que fazer no lugar?

Opte pelo longo caminho mesmo, o do crescimento orgânico. Você vai conhecer pessoas incríveis que se identificam contigo e será questão de tempo para começar a ganhar dinheiro.

Além disso, é possível utilizar as soluções pagas DENTRO das redes sociais para impulsionar o alcance de suas publicações, não há nada de errado nisso.

Pagar para postar matérias em revistas e sites e dizer ao público que foi convidado.

Outra maneira de ganhar visibilidade é realizar o marketing de conteúdo nos veículos de imprensa.

De forma geral, é uma maneira para noticiar alguma novidade de sua empresa ou demonstrar seu conhecimento no assunto tratado e, ao final (ou sutilmente ao longo do texto), explicar quem é você e o que faz.

Naturalmente que se você não é um colunista nessa revista/jornal (nem na sua versão Web) é necessário pagar pelo espaço (via Dino, por exemplo), e isso lhe dará acesso aos leitores daquele veículo específico.

Por que isso te queima?

O problema está em como você divulga isso para seus seguidores.

Há quem adote a política de não deixar claro que é um espaço comprado, mas os campeões mesmo são os que dizem que foram CONVIDADOS ou que estão honrados em estar ali.

Parça, se você me der o dinheiro que você pagou para ter essa matéria veiculada, eu te convido para vir aqui em casa, ouço tudo que você tem a dizer e ainda te sirvo um café colonial.

Enfim, estará novamente mentindo.

O que fazer no lugar?

Fala a porcaria da verdade: que você veiculou uma matéria na imprensa sobre um tema/notícia que julga ser importante e segue a vida.

Cometer plágio.

Bem óbvio, mas já aconteceu comigo (fui plagiado) e com outros produtores de conteúdo conhecidos.

E não apenas plágio de conteúdo, já sofri e testemunhei:

  • alguém se declarar dono de imagens e fotos de terceiros;
  • copiar a descrição de resumo e apresentação de LinkedIn;
  • publicar vídeo dos outros em seu próprio canal do Youtube; e
  • copiar nome de canal e Newsletter.

Por que isso te queima?

Não preciso nem falar que isso é ILEGAL, né? E, como se não bastasse, te queima com as pessoas e principalmente com o proprietário do conteúdo.

Falando especificamente de textos para blog e vídeos no Youtube, além dos motores de buscas e redes sociais detectarem isso e te punirem, eles também punem o criador do conteúdo por não ter certeza de quem é realmente o proprietário daquilo – o que é muito FODA.

Mais um motivo para te odiar.

O que fazer no lugar?

Crie seu próprio conteúdo, óbvio! Ou terceirize para quem manja: eu e a Invoice Content, por exemplo.

E se você é alguém que costuma plagiar, sugiro estudar sobre Direito Autoral, Ética e Empatia.

***

Eu sei que alguns dos exemplos de queimação citados são cometidos na inocência ou até porque as pessoas se inspiram na forma como outros perfis atuam, dentro e fora de suas respectivas áreas.

Por isso não se condene caso você seja uma dessas pessoas ingênuas hehehehe…. a ideia do texto foi de fazer um alerta com o básico.

A não ser que você faça qualquer coisa parecida com as 3 últimas citadas, aí lhe falta honestidade mesmo.

E você, amiga(o)?

O que achou das dicas? Tem mais alguma para acrescentar? Presenciou alguém cometendo algo parecido? (Não é para citar nomes aqui, ok?!)

Se quiser mais dicas e conhecer explicações mais aprofundadas sobre o tema, ouça o Episódio nº 19 do Invoice Cast, nele tratamos desse assunto mais detalhadamente.

E, antes de ir embora, comente ou deixe sua curtida, ela é importante para eu saber se gostaram do tema. 😉

Que o Marketing Social continue após a pandemia, mas faça direito!

Tenho uma infame teoria que, os sentimentos mais fortes para incitar as pessoas a agir são, nessa ordem:

  1. A raiva;
  2. O medo; e
  3. A fé/esperança.

Acredito que nesta pandemia o estado de medo seja o mais presente pelo temor da contaminação, principalmente por nossos entes queridos que se encontram nos grupos de risco.  

O medo descontrolado ativa o instinto de sobrevivência de se preocupar apenas consigo mesmo, de forma que movem pessoas a estocar papel higiênico em quantidades malucas e sem se preocupar com o próximo.

Entretanto, quando o medo é controlado, ele analisa a situação factualmente, impede de acreditarmos no vídeo do “Químico Autodidata” recomendando vinagre ao invés de álcool em gel e permite que a solidariedade predomine e utilizemos nossos recursos em prol do próximo.

Todo sentimento quando controlado pode ser usado para o bem, até com a raiva, meu texto “Agentes de Carga, precisamos conversar sobre seu saturado Marketing”, foi escrito martelando o teclado em estado de ira e é um dos meus textos mais elogiados, principalmente por agentes de carga.

Enfim, é uma teoria minha baseada cientificamente em nada, vamos continuar no assunto.

O que é Marketing Social?

Se sua empresa utiliza recursos para combater problemas da sociedade e busca contaminar (péssima palavra no atual momento) inspirar pessoas e até outras empresas, isso é Marketing Social.

Este é o Marketing 3.0, ele é “centrado em valores. Além da venda que satisfaça o consumidor, o negócio precisa ter um propósito maior: o de transformar o mundo em um lugar. – Rock Content.

Através dele, você demonstrará com suas ações o que você considera importante combater no segmento que sua empresa, afinal de que adianta elaborar Missão, Visão e Valores romantizadas e estampar lindamente no seu site, se elas não são praticadas?

É como ter pena da tartaruga com o canudo no nariz, porém nunca separa o lixo orgânico do reciclável.

Como fazer Marketing Social sem “pegar mal”?

Ninguém gosta de ver uma pessoa anunciando aos quatro cantos os atos de caridade, pois demonstra a vaidade da intenção por trás dos atos, por isso é primordial ter cuidado em como os clientes atuais e em potencial interpretarão a execução e comunicação das campanhas de marketing social.

Escolhi as três orientações abaixo com base no que já testemunhei de certo e errado como cliente no comércio exterior, e como o objetivo do texto é ensinar, não vou dar indiretas ou lavar roupa suja.

Não seja hipócrita.

A hipocrisia no marketing social é a irmã mais nova da propaganda enganosa, isto é, o que você prega e vende, precisa ser sentido pelos clientes e colaboradores.

A incoerência do Pregado X Praticado é mais vaga e subliminar que a propaganda enganosa, pode não resultar em processos ou PROCON, no entanto, ficará aquele sentimento de que levou uma rasteira alta pelas costas.

Figura 1 – Foi na bola, segue o jogo. – Globoesporte.com

E sabemos por experiência profissional e pessoal que é praticamente impossível reverter o sentimento da traição, jamais a relação voltará ao que era.

Antes de um banco querer que todos recebam educação financeira, ele precisa cooperar tornando seus produtos mais simples e transparentes, bem como não adianta homenagear as mulheres em março, se as colaboradoras não se sentirem representadas nos outros 11 meses.

Como você age rotineiramente precisa estar em sintonia com o que prega.

Tenha sensibilidade.

Se você tratar momentos difíceis ou trágicos como oportunidades de Marketing, vai soar oportunista e o efeito será negativo e muito mais duradouro, pois tendemos a carregar o ranço no coração por muito mais tempo que a gratidão.

Não é num artigo que lhe ensinarei a ter sensibilidade, mas o que tenho como regra é:

Se alguma ideia sua está lhe causando receio que possa pegar mal, provável que seja seu desconfiômetro avisando que vai!

Talvez a ideia seja boa, mas é preciso ter sensibilidade na execução, lembram como a Red Bull se promoveu em 2007 na tragédia do metrô Pinheiros? É de casos assim que dizemos que de boa intenção, o inferno está cheio.

Pois mesmo depois da marca se retratar, o estrago está feito.

Faça-o continuamente.

Se você, independentemente do tamanho da empresa ou pessoa física, começou apenas agora a fazer o Marketing Social por genuinamente querer ajudar, ótimo, toda solidariedade nesse momento é bem-vinda.

Mas essa pandemia vai passar em algum momento e os problemas de sempre continuarão presentes, quando esse esperado dia chegar, veja com quais seus valores mais se identificam e torne o Marketing Social um hábito.

Porque se você o fizer apenas em momentos de tragédia ou pandemia, mesmo que bem intencionado, vai acabar parecendo que foi feito por pressão social.

Que ele seja tão rotineiro, que se torne obrigação natural.

Marketing Social não é algo novo, assim como Home-Office, Videoconferência, Nuvem (e lavar as mãos!), mas são exemplos assim que estão se destacando durante a pandemia e já alteraram a forma que trabalhamos e interagimos em sociedade.

E torço para que ele mantenha a nova relevância alcançada, pois fazer o bem ao próximo através do exemplo, é a única forma de inspirar outros a realizá-lo.

Que boas campanhas de Marketing Social você tem visto?

Tenho certeza de que você já testemunhou vários bons exemplos, assim como você e sua empresa estão ajudando como podem, conta aí nos comentários! Isso pode dar ajudar e inspirar outros a fazerem o mesmo.

Este artigo foi escrito para o Grupo Trust e foi originalmente publicado em seu Blog.


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