Como encarar os difíceis dilemas no comércio exterior, em casos fortuitos ou de força maior?

Espere! Não fuja! Não vou falar do ocorrido no Canal de Suez.

Hoje quero conversar sobre as difíceis escolhas que precisamos tomar em situações desta magnitude (que quase sempre se enquadram em casos fortuitos ou de força maior) ou, no mínimo, precisamos aconselhar nossos clientes no Comércio Exterior a respeito.

São dilemas difíceis pois, mesmo com experiência, somente o futuro vai dizer se a melhor (ou “menos pior”) decisão foi tomada.

E é preciso saber viver com ela.

O que são casos fortuitos ou de força maior no comércio exterior?

Antes de deliberar sobre o tema, vamos ao conceito de cada um deles de acordo com a lei.

De acordo com o Parágrafo Único do Art. 393 do Código Civil, estes são os casos “cujos efeitos não era possível evitar ou impedir” e a diferença entre ambos, de acordo com a doutrina do TJDFT é:

  • Casos Fortuitos – É o evento que não se pode prever e que não podemos evitar.
  • Força Maior – Os fatos humanos ou naturais, que podem até ser previstos, mas da mesma maneira não podem ser impedidos.

Tal como uma greve iniciada por servidores de um órgão público, que têm respaldo em lei para fazê-lo (Força Maior)

Ou uma tempestade de areia forte o bastante para encalhar uma embarcação no Canal de Suez, provavelmente causada pela Deusa Egípcia da fertilidade, da natureza e das águas (Caso Fortuito).

Se uma situação como a do Canal de Suez lhe afeta e você é religioso, adicione Isis em suas orações (junto do Santo Expedito).

Mal não faz, né?

Por que é difícil decidir nesses casos?

É difícil pois será necessário decidir com pouca ou nenhuma informação, como quando lemos que o fim da greve ou desencalhe vai levar de 3 a 30 dias.

Similar a quando”especialistas” dizem que a tendência do dólar para daqui 3 meses é de alta ou queda…

Mesmo que a situação contemple ressarcimento de seu seguro, o segundo motivo pelo qual é difícil decidir é que, independentemente da decisão tomada, ela vai causar prejuízos.

De modo geral, casos fortuitos ou de força maior costumam nos limitar a duas opções:

Esperar.

Se você acredita que a situação vai se resolver antes dela causar problemas e prejuízos relevantes, então a decisão será esperar.

Esperar, nesse caso, não significa “não fazer nada”, é possível minimizar os custos de uma greve, por exemplo, ao transferir a mercadoria para um terminal alfandegado com armazenagem mais barata, enquanto compra o mesmo produto nacionalmente ou renegocia os prazos que dependem dessa mercadoria.

Ou segurar o embarque marítimo da mercadoria (para que ela não entre ainda na fila das embarcações que esperavam a Ever Given desencalhar) para que assim possa estudar outras opções de frete internacional.

A verdade é que, dependendo da situação e do poder financeiro do importador/exportador, esperar será a única opção.

Mas se não for o caso a segunda opção é:

Resolver de forma onerosa.

Se a chegada da mercadoria ao destino final é necessária e não há mais tempo para esperar, então é preciso resolver já.

Contudo, isso dificilmente sairá de graça.

Uma mercadoria parametrizada em Canal Amarelo durante uma greve, por exemplo, pode ser solucionada com um Mandado de Segurança, mas dependo do valor da importação, pode sair mais caro que a armazenagem do primeiro período.

Se tiver mercadoria na Ásia e não quiser esperar o Canal de Suez reabrir para entregar a mercadoria na Europa, é possível transportar por ferrovia (arriscado e mais caro) ou ar (seguro, porém, muito caro).

Esperar um pouco, se nada mudar, resolver de forma onerosa.

Essa é normalmente a opção mais realizada na prática, não porque o risco é devidamente calculado, mas por não sabermos inicialmente o tamanho da bucha do problema que o processo se meteu.

E, nesse segundo caso, o importador/exportador (e demais empresas do Comex) acabam passando pelos estágios do Modelo de Sofrimento de Kübler-Ross, mais ou menos assim:

  1. Negação: “Não deve ser tão difícil assim reflutuar uma embarcação, amanhã tá tudo de volta ao normal.”
  2. Raiva: “Por que só com as minhas cargas? Não é justo!”
  3. Negociação: “Ísis, Santo Expedito, por favor, ouçam minhas preces!”
  4. Depressão: “Por que eu não fui estudar medicina?”
  5. Aceitação: “Tá… Embarca a próxima entrega por avião, não dá para esperar mais.”

Tome uma decisão.

Limitei a decisão a duas opções, mas os planos de ação dentro delas são diversos e variam conforme a mercadoria e a situação. Pois o problema é ter condições financeiras de tomar uma decisão, mas preferir patinar nos estágios 1 até 5.

Similar a um investidor que não se conforma que as ações compradas, estão em queda.

Convenhamos, se você se limitar a ficar na torcida/oração/revolta/reclamação no Twitter, deixará a solução a cargo de quem não está preocupado contigo.

Podem até desejar que a greve termine logo e que o navio desencalhe o quanto antes, mas o foco será sempre, em primeiro lugar, nos interesses próprios.

Depois que o plano de ação for executado, não se martirize.

O plano de ação executado tem como objetivo conter prejuízos maiores, ou seja, não há praticamente qualquer chance de isso sair mais barato que antes da bucha do problema acontecer.

Se você impetrou um Mandado de Segurança e ele foi favorável e liberou sua carga no mesmo dia que a greve acabou (já aconteceu comigo) ou se sua carga embarcou no avião poucas horas antes do Canal de Suez ser liberado: paciência!

Sei que financeiramente é ruim, mas o foco do papo não é esse, você buscou a melhor decisão com as informações que tinha e com sua experiência em buchas passadas.

Ficar dizendo para si (ou pior, para os outros) o que devia ter sido feito depois que o problema acabou, é igual programa que opina sobre partida de futebol: muito fácil dar pitaco sobre o passado.

E você, amiga(o)?

Qual sua opinião sobre o tema? Quais são os dilemas mais comuns que precisa enfrentar no Comércio Exterior? As experiências passadas ajudam? Teve alguma mercadoria afetada pelo bloqueio do Canal de Suez? Vamos continuar a conversa nos comentários 🙂


Desde 2007 atuando no comércio exterior e importação, decidi aliar meu amor pela escrita para ensinar e discutir sobre essa carreira que tanto aprecio, mas de forma simples e bem humorada.

Pois a leitura não precisa ser um fardo para ensinar.

E o que começou como hobby, me rendeu a oportunidade de escrever e palestrar para empresas do ramo como: Gett, Conexos, Allog, Cheap2ship, Mainô, Cronos, DC Logistics, Amtrans, Interfreight, Logcomex, Grupo Trust, Dati, Conexo, Inova Despachos, entre outras.

O hobby virou 2º emprego e hoje é o 1º, pois além de textos, palestras e consultorias, iniciei um podcast chamado Invoice Cast e no final desse mesmo ano, fundei com mais dois amigos uma agência focada em Comércio Exterior, a Invoice Content.

Tá afim de trocar uma ideia comigo? Me chama aí!

7 aprendizados no ano em que larguei meu emprego para empreender.

Relaxa, não vou vender Master Class no final.

Foi em 2020 que deixei de ser colaborador para empreender e, como esse ano foi maravilhoso e desgraçado, preciso refletir e externar isso de alguma forma para fixar os aprendizados e ser uma fonte de consulta para mim mesmo, no futuro.

Não estou lhe desconvidando da leitura, mas entenda que isso se resume às minhas experiências no cenário em que estou inserido, logo, sinta-se livre para absorver somente o que lhe for útil.

A vida não está nem aí para o seu planejamento.

Ter lido esse texto do professor Matheus de Souza em 2019 me preparou melhor para essa verdade.

Mas… pqp hein! Na prática é outra história.

Mais da metade dos meus projetos e dos “bizniz” que foram fechados no final de 2019, que me deram coragem para pedir demissão em janeiro de 2020, morreram assim que o Covidão chegou ao Brasil.

Claro que eu não havia jogado tudo para cima ao pedir demissão, fiz isso com planejamento, reserva financeira, e apoio da esposa e da família, o que foi primordial para analisar a situação de m&#$* na qual eu estava e rever meus planos.

A Importação me endureceu e ensinou a esperar pelo pior cenário, pois foi exatamente o que aconteceu.

Contudo, nem isso bastou.

Não sou tão forte como imaginava e nem quero ser.

Com a chegada da pandemia e a perda de algumas fontes de renda que me obrigaram a utilizar a reserva financeira, externei excessivamente minha frustração no iFood, videogames e bebidas alcoólicas.

Resultado: 5Kg em menos de 40 dias, engordei praticamente um Romeu (o de gravata).

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Além disso, vieram ao longo do ano os primeiros perrengues da glamurosa vida empreendedora (#sarcasmo): burocracia para abrir empresa, calote, plágios, clientes sanguessugas…

Como disse, achava que a vida na Importação tinha me endurecido o suficiente para não me abalar tanto, mas estava bem enganado, todas essas situações me causaram estresse, dor e diversos outros sintomas que me levaram às lágrimas de raiva e de frustração algumas vezes.

Sim, eu choro, fico puto, tenho vontade de desistir, mas aí desabafo, me acalmo, coloco as ideias no lugar e continuo.

Existe a hora de ficar puto e a hora de acreditar que vai dar certo, essa história de sempre ter #positividade é um veneno.

Sou muito privilegiado.

Mesmo depois de tanta sofrência, a verdade é que me encontro numa situação tranquilíssima para empreender, quando comparado a muita gente.

Tenho reserva financeira, esposa que trabalha, pais com confortável aposentadoria e prontos para me ajudar… Se precisar voltar a trabalhar como CLT (algo com o que não teria problema), acredito que conseguiria em pouco tempo uma posição que pagasse as contas.

Portanto, o que é a minha situação se comparada às inúmeras pessoas que vieram no privado me pedir ajuda ou dicas para conseguir o primeiro emprego? Ou que estão há mais de um ano desempregadas, com filhos para criar, aluguel para pagar?…

Sem contar o choque de realidade que experencio quando posso participar de ações sociais…

Isso não desmerece o meu esforço, cada um batalha com o que tem, mas é importante que reservemos um tempo para ajudar quem não teve a mesma sorte.

Sério, tem gente que só precisa de dicas para melhorar o currículo, ou tirar uma dúvida, ou até mesmo desabafar sobre como tá foda.

Dividir uma parte dos meus privilégios com quem precisa foi primordial para aguentar esse ano.

Não se preocupar em agradar a todos é libertador e necessário.

A partir do momento que você, ou seu trabalho, tem personalidade e posicionamento, você vai atrair mais pessoas e desagradar outras na mesma ou maior proporção.

Agora, se você tentar agradar todo mundo, seu trabalho será, na melhor das hipóteses, mediano.

E o ordinário é o primeiro a ser esquecido.

Porém, não se preocupar em agradar a todos não significar ser um cavalo de rude, é difícil (sei bem), mas é possível ser autêntico sem perder a cortesia.

Seja postando a foto de natal com a família ou iniciando uma página no Insta sobre o assunto que gosta, vai ter gente julgando para o bem ou mal.

Você julga, eu julgo, normal, é o custo de se expor.

Não inicie outro projeto enquanto o atual não estiver sólido.

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Photo by Nicolas Hoizey on Unsplash

Esse foi o ano de dizer muitos “nãos”.

Isso foi reflexo do meu “trabalho com personalidade” que começou lá em 2018, nunca na minha vida recebi tantos convites para projetos, porém a maioria deles sem pé nem cabeça.

Alguns foram honestos e só careciam de estrutura, outros tentaram se aproveitar de mim (é, teve de tudo). Independente disso, precisei negá-los para focar naquilo que tinha me comprometido.

Como minha produção de artigos estava acontecendo com solidez e qualidade, pude começar 2 novos projetos que levo a sério desde janeiro.

  1. Podcast
  2. Instagram*

*Especialmente em fazer vídeos para os stories, se você viu os primeiros, vish…

Já tenho ideia do que quero desenvolver depois que estes dois estiverem dominados, mas há ainda muito para melhorar neles em 2021.

Se você tentar abraçar todas as oportunidades que lhe aparecerem, poucas vão se realizar com qualidade.

Seus valores estão nas suas ações, não na parte institucional da empresa.

Lembra que falei sobre não se preocupar em agradar a todos? Esse é mais um benefício.

Nunca me preocupei em definir meus valores no meu site, por exemplo, talvez por consequência do ranço que tenho da hipocrisia das empresas de Comex.

Tal qual empresas de Comex que, de um lado, se exibem com projetos sociais e, de outro, ficam inventando e cobrando custos inexistentes dos clientes.

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Curiosamente, essa hipocrisia foi um dos motivos que me motivou a escrever.

A recorrência de externar seu trabalho com personalidade vai naturalmente mostrar todas as suas virtudes… e até os defeitos, por que não? Alguns deles consegui corrigir (ou, pelo menos, amenizar), graças à escrita.

Quem insiste que a vida empreendedora é onde está o sucesso, quer te vender curso.

Nossa, me senti o bichão do sucesso mesmo emitindo NF, pagando boleto, cobrando caloteiro, mandando plagiador tirar conteúdo meu do ar…. #SQN

A vida toda no CLT, claro que eu ia me ferrar migrando para o CNPJ.

Ok, me dei muito bem no “home office”, curto a liberdade, mas é foda se motivar sozinho, tanto que para me ajudar nessa motivação deixo bem na minha vista, abaixo do meu monitor, os boletos a vencer.

“Ain Jonas, mas o sucesso da vida empreendedora é infinito!”

Sabe o que mais é infinito? O fracasso!

E dá, sim, para ter sucesso infinito como CLT também, tenho amigos e conhecidos que nem preciso perguntar quanto ganham para saber que estão “muito bem, obrigado”.

Se isso significa sucesso para você, o meu conceito disso não para de mudar… Tô curtindo a vida empreendedora, mas é um investimento a longo prazo, não adianta, a cada escolha, uma perda.

E você amiga(o)?

Sou muito grato de ter pessoas que genuinamente torcem para que eu cresça sem limites, se você é uma delas, obrigado, mesmo! Se quiser, fique à vontade para compartilhar nos comentários o que conseguiu aprender, seja num ano terrível como esse, ou no ano em que começou a empreender.

Também aceito conselhos, tenho muito a aprender!

Meus conselhos aos iniciantes no comércio exterior, parte 3

Depois de muitos pedidos (mentira, isso é papo de quem se paga de importante), volto com minha série anual preferida dentro do Comércio Exterior.

As partes 1 e 2 foram banhos de água fria e direcionamentos básicos para a carreira, contudo nessa parte 3 vou deixar alguns conselhos, que acredito servirem para iniciantes, quanto experientes, no que tange as três características que acredito serem as mais importantes dentro e fora da vida profissional:

  • sua saúde;
  • suas virtudes (soft skills); e
  • sua credibilidade.

Sua saúde vem antes do trabalho.

Seja para crescer na vida ou para manter o emprego atual, você vai ter que ralar, principalmente se não deu a sorte nos privilégios.

“O sol nasce pra todos, mas a sombra é pra poucos”.

Você Diz Que O Amor Não Dói – Marcelo D2.

E ralar no Comércio Exterior normalmente envolve precisar trabalhar até tarde, acordar cedo ou no meio da madrugada.

Sem mencionar o volume surreal de trabalho.

Nem vou adentrar na questão trabalhista, se está certo ou errado, mas entenda que grande parte do nosso trabalho baseia-se na necessidade da pessoa que está em outro país receber a informação em tempo, pois quando não atendemos prazos perdemos embarques, documentos não chegam a tempo e/ou custos de armazenagem disparam.

Todo o trabalho tem imprevistos que demandam um esforço a mais, o problema é quando dormir pouco e viver sobrecarregado vira rotina, eventualmente o corpo dará sinais de esgotamento através de:

  • gastrite;
  • gripe;
  • dor de cabeça, no corpo; ou
  • perda de cabelo.

Estes são exemplos, a forma que o seu cansaço vai se manifestar são variadas e depende de pessoa para pessoa; no meu caso, foi o vitiligo, em virtude de eu insistir em sacrificar minha saúde e me entupir de remédios para tratar os sintomas leves.

A consequência, para mim, foi sobretudo estética, afetou apenas a pigmentação da minha barba, cílios e sobrancelha no lado esquerdo; após mais de um ano de tratamento consegui reduzir a sequela, mas não há cura completa (passa Grecin).

Porém existem aqueles casos de pessoas que evoluem para uma Síndrome de Burnout, ataques cardíacos e derrames cerebrais… e são pessoas cada vez mais jovens.

Nenhum trabalho é mais importante que a sua saúde.

Saiba dizer NÃO!

Não importa se é chefe, cliente ou colega de trabalho (sobretudo nas empresas que não definem por escrito as responsabilidades), se você deu a mão, vão tentar levar o braço junto.

Vão te contratar para Compras Internacionais e, ao passo que lhe entregam “só mais uma coisinha” para fazer, você terá se tornado responsável por:

  • classificar a mercadoria;
  • coordenar a importação;
  • acelerar navios #CDD;
  • fechar câmbio;
  • contratar transportadora…

E assim segue recebendo cada vez mais pepinos responsabilidades por meses ou anos, enquanto te enrolam no cargo de Auxiliar de Compras Internacionais.

“Aumento? Hum, mês que vem a gente conversa, prometo!”

Por isso é importante que sua gentileza (ou politicagem, não há nada de errado nisso) não faça com que você seja visto como o trouxa bonzinho que faz tudo, quebrar um galho, não pode te tornar o responsável por todos os galhos.

Contudo, há momentos que podemos dizer NÃO de forma construtiva.

Não é porque você tem dificuldade de dizer “não” que vai começar causando discórdia, no melhor estilo Rochelle Chris dizendo “não preciso disso, meu marido tem dois empregos”.

Ao invés de responder assim > Tente dessa forma:

  • Isso não é minha responsabilidade > Creio que isso cabe ao fiscal verificar.
  • Não tenho tempo agora > Podemos ver isso depois do almoço?
  • Não vou dar conta no prazo > Preciso de ajuda para dar conta disso no prazo.

A verdade é que “nãos” sempre podem causar atritos, contudo, ao adotar uma resposta construtiva ela criará um caminho para resolver a situação, sem que pareça (tanto) que você é o chatão que só sabe dizer não.

Aponte menos o dedo e resolva mais.

Certamente esse é um dos maiores males do Comércio Exterior, e não é de se espantar, são tantas pessoas e empresas envolvidas nas operações que basta uma vacilar para causar prejuízos ao cliente ou aos outros envolvidos.

E acredito que os clientes são os principais responsáveis por essa cultura das empresas de Comércio Exterior de querer “tirar logo o meu da reta”, o mais rápido possível, pois fui por muitos anos o “importador cliente” que ajudou a cultivar isso, até que um dia um prestador de serviço me disse o óbvio:

“Vamos focar em resolver o problema, depois vemos o que aconteceu”

Existe uma máxima no Comércio Exterior que diz “se um processo começa errado, ele vai acabar errado”, e isso faz todo o sentido! Processos que começam com um erro ou sofrem problemas em seu percurso, deixa não apenas o causador dele tenso, mas todos os demais envolvidos que ficam preocupados em não piorar a situação.

E, consequentemente dessa tensão, as chances de errar aumentam.

Não precisa vir com #positividade e dizer que “vai dar tudo certo” (raramente é possível recuperar o tempo perdido), contudo, você pode ser a pessoa que resolve o problema e, depois que o processo estiver finalizado, analise o que aconteceu e levante os prejuízos.

Hoje foi outra pessoa quem causou prejuízos, amanhã pode ser você sem emprego fazendo uma entrevista para a mesma vaga com esse outro.

O mundo não dá voltas, ele capota.

Você vai se tornar importante através das Soft Skills.

Antes de mais nada, entenda que ninguém é indispensável, lembro de ter ouvido isso quatro vezes de pessoas que eu julgava serem indispensáveis.

Como jovem e teimoso que era demorei para aceitar essa verdade, mas hoje, quando penso como essas pessoas foram importantes no meu crescimento profissional, lembro de suas virtudes, ou como a turma do LinkedIn adora, suas Soft Skills.

Lembro como se comunicavam com transparência, trabalhavam em equipe com outros setores, identificavam e questionavam rotinas que podiam ser melhoradas, se adaptavam às novidades, assumiam a responsabilidade (principalmente quando era de um subordinado seu).

Isso não significa que estudar não é importante, mas prefiro trabalhar com uma pessoa virtuosa que carece de conhecimento/experiência, do que com um mega diplomado que consegue causar ranço até por e-mail.

Convenhamos, é muito mais fácil um inexperiente aprender um ofício do que uma pessoa insuportável ter aceitação social.

Se você se deparar com indícios de corrupção e não tiver a capacidade para mudar esse fato, caia fora o quanto antes.

Basta você trabalhar no Comércio Exterior que eventualmente você irá presenciar situações, no mínimo, “”””esquisitas”””.

Fui claro com a quantidade de aspas, ?

Inegavelmente que esse é um assunto delicado então vou utilizar o exemplo mais clássico:

Existem diversas empresas atuantes no Comércio Exterior que insistem em trabalhar, por anos a fio, com apenas um único prestador de serviço.

Há casos em que faz sentido, há outros em que a pessoa é burra acomodada e gosta de queimar dinheiro, e outros ainda que a coisa está esquisita demais.

E como todo bom profissional, não apenas de Comércio Exterior, cabe a nós questionar o que está errado.

Entretanto, se depois de questionar e mostrar em números que algo não está certo, mesmo assim você foi ignorado ou recebeu como resposta um “não se preocupa com isso” ou “tem que analisar a parceria”, essa é a hora de procurar outro lugar para trabalhar.

E, sim, sei que você tem que comer e pagar as contas, mas tente sair daí o quanto antes, porque, se quem está no centro dessa ”esquizitisse” trabalha próximo a você:

essa fama vai te acompanhar no mercado e, pior, pode até ser demitido com quem ‘tava de sacanagem, porque na dúvida, é melhor mandar embora todo mundo junto.

***

Como nos textos anteriores, esses conselhos são de coração, baseados no que já vivenciei, assim como no que pessoas da área, com menos ou muito mais anos de mercado que eu, me confidenciaram.

Estou ciente que eles não se aplicam a todos e que é possível levantar diversas exceções a cada um, enfim, como disse Bruce-Lee, “tome o que lhe for útil e desenvolva”.

E você, amiga(o)?

Concorda com os meus conselhos? Quer acrescentar algo? Quer discordar? Fica à vontade! Mas vamos manter o respeito 🙂

Se preferir desabafar comigo no particular (e-mail, mensagem privada), sinta-se à vontade também, sempre respondo a todos (exceto os que mandam mensagens prontas vendendo algo que não pedi… esses eu bloqueio com mais eficiência que a seleção brasileira de vôlei).

Se preferir uma mentoria profissional para sua carreira ou empresa de Comércio Exterior, me chama! O primeiro papo é gratuito.

Certificação GPTW, por que precisamos nos preocupar com o ambiente de trabalho?

Infelizmente, ainda não tive a oportunidade de trabalhar numa empresa com certificação GPTW.

Por outro lado, fez parte da minha carreira ser demitido de uma empresa que eu amava trabalhar e que estava passando por uma crise, bem como pedi demissão de outra que foi responsável por me fazer chorar ao menos uma vez por semana, por uns bons meses.

E poucos anos no mercado de trabalho são suficientes para sabermos que situações desse tipo são comuns.

Nesse texto, explicaremos o que é o GPTW, mostraremos que um bom ambiente de trabalho não diz respeito apenas a estrutura, que a certificação não é coisa de empresa grande e que, não é frescura se preocupar com os sentimentos de quem passa o dia contigo.

O que é GPTW?

GPTW é a sigla do inglês para Great Place To Work que, numa tradução brasileira bem sulista seria “Um baita lugar para trampar”.

Trata-se de uma empresa espalhada ao redor do globo que tem como propósito melhorar os resultados de seus clientes a partir da melhoria do ambiente de trabalho.

Partindo do pressuposto que, lógico, você já entendeu que não há nada mais importante na sua empresa que as pessoas 🙂

Este trabalho é realizado através de consultoria que, inicialmente avaliará o ambiente de trabalho através de entrevistas e pesquisas com os colaboradores.

Com base nas respostas obtidas (anonimamente!), com base nas dimensões e práticas culturais da GPTW e com o suporte da consultoria, você saberá o que é preciso melhorar e o plano de ação para que, na próxima avaliação, tenha resultados melhores.

Dimensões e práticas Culturais - GPTW

Considerando que realize este plano com sucesso, sua nota subirá nas futuras avaliações até o patamar de receber a certificação GPTW.

O que significa uma empresa ser GPTW?

Da mesma forma que produtos possuem Certificado de Análise, certificações como ISO e OEA, é preciso que um terceiro com credibilidade e isento de interesse faça essa avaliação.

Ou nossos pais nos responderam com sinceridade a primeira vez que perguntamos sobre nossa beleza?

“É sim, Jonas, eles riem de você por inveja”

Dona Idile Vieira, Xanxerê, SC – 1996.

A empresa que possui a certificação GPTW mostra ao mercado que ela tem um ambiente de trabalho aprovado pelos próprios colaboradores.

E não se trata de engessar a cultura, estilo, branding e blablabla num modelo aprovado, tampouco há nota maior para empresas razão de seu porte, faturamento ou que possuam uma sala de lazer com mesa de sinuca, escorregador e um panda para abraçar.

A qualidade da estrutura é importante, porém, o que conta de verdade na avaliação são as ações, as práticas, as experiências, os momentos

Reflita por um instante! Os momentos mais importantes da sua vida são assim considerados por causa do local ou da experiência que você teve neles?

Quais os benefícios da Certificação GPTW?

GPTW

A depender do segmento da empresa e diversos outros fatores, os benefícios alcançados variam e o resultado vai depender de um acompanhamento sério dos números.

Mas não há o que se duvidar: melhorar o ambiente de trabalho tem sim retornos comerciais e financeiros, especialmente por tratar de aspectos que nem todos estão acostumados a se preocupar.

Atração e Retenção de Talentos.

É complicado, na prática, descobrir como é o clima de trabalho ou os benefícios (ainda que indiretos) de uma empresa que tenha interesse em trabalhar, afinal será preciso perguntar para alguém que está lá dentro e, a depender do nível de intimidade, não receberá uma resposta segura, ou resposta alguma.

Enfim, a certificação GPTW não significa que a empresa é perfeita para todos, mas o ajudará para que futuros colaboradores sintam-se mais seguros antes de pedir demissão do trabalho atual.

Consequentemente, irá atrair os melhores profissionais, porque os melhores, podem se dar ao luxo de serem mais exigentes*.

*Não é uma verdade absoluta, ok?

Mas de nada adianta atrair profissionais, se eles não ficarem. Sabe como o turnover é custoso, não só pela admissão e demissão, mas também pelo tempo despendido para que esse novo profissional venha render ao máximo.

Falando nisso…

Aumento do engajamento.

Um estudo da Gallup diz que apenas 27% dos colaboradores da América Latina se sentem engajados em seus trabalhos, ou seja, 73% não está dando seu máximo porque não se sente parte da empresa.

E quando digo “dar seu máximo” é por querer fazê-lo, não por “motivação” na base de metas e pressões que beiram o assédio.

Photo by Clark Tibbs on Unsplash

Quando o ambiente de trabalho favorece o engajamento, nos inspiramos a fazer mais e, naturalmente, essa ação vira exemplo que inspira colegas e até profissionais fora da empresa.

Segurança no serviço.

Como cliente, digo que não é preciso muita sensibilidade para notar a diferença na qualidade de serviço quando a pessoa ama o lugar que trabalha.

É outra a maneira de te ouvir, de conversar, de tentar resolver seu problema e até de admitir que tem algo errado, porque este profissional se sente seguro o bastante para admitir erros.

E, se for preciso eleger um sentimento para predominar nas minhas operações de Comércio Exterior, eu fico com a segurança. Se eu sinto segurança no serviço prestado (que se concretiza na execução), por que eu, cliente, vou pensar em ir atrás de outra empresa?

Economia financeira.

Photo by Michael Longmire on Unsplash

Os benefícios anteriormente mencionados possuem evidentes retornos financeiros, vamos então falar de salário… importantíssimo, não?

Então, não é bem assim… essa pesquisa mostra que os principais fatores de permanência de um colaborador em empresas com a certificação GPTW são “Oportunidade de Crescimento” e “Qualidade de Vida”.

Salário está em penúltimo, ao passo que vemos e passamos por situações como essa:

  • Um colaborador está insatisfeito;
  • Ele é importante para empresa, então recebe um aumento;
  • Ele usa a grana para lidar com seu problema do jeito errado: cerveja, pizza, vídeo game, viagens, baladinha top;
  • Os “remédios” aplicados não resolvem a insatisfação, que evoluindo para stress e/ou ansiedade…
  • O dinheiro do aumento começa ser usado agora para médicos e tratamentos.

Talvez esse aumento sequer fosse necessário, se antes a empresa tivesse realmente atendido algum anseio do seu colaborador, que de fato lhe desse maior qualidade de vida e que provavelmente custaria menos que o aumento.

São “experenciando” situações assim que começamos a entender que dinheiro não é tudo e buscamos outras oportunidades que realmente proporcionem essa qualidade de vida.

Como posso certificar minha empresa como GPTW?

Robert Levering – Fundador da GPTW.

Pode parecer suspeito ver essa frase do próprio fundador da GPTW, mas é real! Essa Certificação não é coisa apenas para Google, Nubank ou Netflix.

Expliquei anteriormente que o que conta mesmo são as ações, mas se preferir ver com seus próprios olhos (depois de ler esse texto até o final, ok?): acesse o site e clique em “Ranking”, ao aplicar os filtros verá que há empresas de todos os portes e setores, e bem provável que alguma se pareça com a sua.

Para conseguir a Certificação GPTW comece entrando em contato com eles na seção “Jornada”, é uma conversa inicial sobre como eles podem te ajudar.

Posteriormente, eles aplicarão uma pesquisa para que consigam identificar o que precisa ser melhorado em seu ambiente de trabalho.

A princípio, se sua nota for alta o bastante, receberá a Certificação, mas, se você julgar necessário, eles oferecem consultoria para lhe ajudar a melhorar sua nota na próxima avaliação.

Qual a diferença entre a Certificação e o Ranking?

Antes de mais nada, entenda que são coisas diferentes, a sua Certificação não depende da pontuação de outras empresas, a análise e evolução levará em conta apenas os seus dados.

O selo entregue não virá com uma nota ou Ranking.

Contudo, o resultado da pesquisa aplicada na sua empresa mostrará também como foi a pontuação comparada às melhores colocadas, que possuam perfil similar ao seu (sem citar nomes), apenas para lhe ajudar com mais conteúdo.

Enfim, o Ranking é uma competição, claro que ganhar o prêmio é satisfatório e vai fazer muito bem à sua imagem, mas o foco é evoluir consigo mesmo.

Cuide das pessoas.

Photo by Ali Yahya on Unsplash

Esse texto não é um “publieditorial” da GPTW, o objetivo aqui foi apresentar uma metodologia porque entendo ser importante tornar melhor o ambiente de trabalho no Comércio Exterior, pois o que acontece fora dele e em razão dele já estressa o bastante!

Ah, mas o Comex é assim mesmo!

Você pode acreditar nisso, ignorar o problema e seguir rindo dos memes, porém, saiba que há empresas atrás dessa mudança, que hoje ainda é um diferencial, mas amanhã será obrigação.

Não à toa que o meu texto A Sociedade do Cansaço está presente no Comércio Exterior foi um dos meus textos mais lidos e comentados no LinkedIn.

Tanto foi que conversei no podcast Radar Comex com os principais responsáveis pela Certificação nas empresas: Inova Despachos, Next Shipping e LogComex (você pode ouvir o episódio via Spotify, Deezer e diversos outros agregadores de podcast).

Radar Comex – GPTW e a criação de um ambiente de trabalho que amamos estar.

E você, amiga(o)?

Como é seu ambiente de trabalho (tendo ou não a certificação GPTW)? O que te faz querer continuar numa empresa ou o que te motivou a sair de algum lugar?

Conte-nos sua história nos comentários, isso é tão (ou até mais) importante quanto conhecer o Regulamento Aduaneiro 🙂

Esse artigo foi escrito para minhas amigas e amigos da Inova Despachos.

Como integrar o setor de comércio exterior com sucesso na empresa.

Uma vez convencido dos benefícios de ter um setor importação e exportação dentro da empresa, de ter encontrado o profissional com as experiências certas para ele e de que é hora de inicia-lo, chegou o momento de integrar o Comércio Exterior aos demais setores internos.

E isso vai causar transtornos, pois diferente de Vendas, Financeiro e Contabilidade, o Comércio Exterior, sendo o último a estrear, vai afetar o trabalho destes departamentos e interferir nos seus próprios procedimentos.

Estou falando de empresas que não tem o comércio exterior como principal atividade.

Precisamos estar abertos às mudanças, mas é fato que não somos grandes fãs delas e, menos ainda, quando são causadas por terceiros. Contudo, os setores existem para otimizar e reduzir custos, então estas 3 dicas vão ajudar em como melhor integrar o departamento na rotina da empresa.

Pois queremos que ocorra da forma mais organizada possível, do contrário, quanto mais bagunçada a integração for, maior a demora do novo setor gerar resultado.

1 – Demarcar o espaço e a presença do setor.

Foto por Alex Qian em Pexels.com – Haja disciplina para trabalhar com um vídeo-game na mesa.

Ele pode até vir a pertencer a um setor maior como: Logística, Supply Chain, Suprimentos e etc., mas precisará ter seu espaço (não necessariamente físico) e um nome.

  • Essa é a Valentina do Suprimentos, ela cuida das importações;
  • Esse o Enzo do Comércio Exterior, ele faz as exportações;
  • Ali trabalha a Ana, é responsável pelo Comex da empresa.

Parece vaidade minha, a de puxar a sardinha, mas é uma maneira de ajudar os demais setores a entenderem o propósito do novo setor e em quais assuntos é importante ele estar presente.

Não é porque o setor chegou por último para se integrar que ele não é importante.

Agora, já imaginou nos exemplos acima se eles fizessem parte do Financeiro, Transporte ou Contabilidade? Sim, estes 3 departamentos também participam do Comércio Exterior, mas a importância e responsabilidade seriam desprezadas.

E se o profissional não sente que o trabalho dele é importante, ele vaza.

Foto por Luis Quintero em Pexels.com – Se alguém vazar, será necessário uma nova integração, quase desde o início

O nome pode variar conforme as atividades e responsabilidades que o setor vai assumir, pode ser que chamem de: Importação/Exportação, Compras/Vendas Internacionais, Logística…

Isso não é problema, o importante é ter um nome no momento que verem o crachá e a assinatura de e-mail.

2 – Determinar responsabilidades

Primeiramente, é necessário que o setor busque integrar as funções de Comércio Exterior que estão com os outros e para isso, é preciso encontrá-las e determinar com quem ficará, por exemplo:

  • A classificação fiscal dos importados continuará com a Contabilidade?
  • Compras internacionais continuarão com o setor de Compras?
  • Transporte rodoviário do porto até o armazém, continuará com o setor de Logística?
  • Não-Conformidade de produtos ainda serão resolvidas pela Engenharia?

Algumas funções podem permanecer nos antigos setores, mas operações de importação e exportação castigam demoras causadas por burocracias internas entre departamentos com prejuízos.

Christina Morillo em Pexels.com

Assim como haverá responsabilidades conjuntas, seguindo o exemplo da classificação fiscal, ele será o responsável por coletar as informações técnicas do produto com a Produção/Engenharia e trabalhar com a Contabilidade na classificação.

E como o setor não foi criado apenas para desafogar os outros, ele também deverá absorver serviços que estariam até então com terceirizados (Despachante Aduaneiro, Agente de Carga, Transportadoras…).

É importante registrar a quem pertencem as responsabilidades, para evitar conflitos e perdas de tempo causados pelo efeito “cachorro com dois donos morre de fome”.

Foto por La Miko em Pexels.com – Ou ganhe “amor” demais…

3 – Integrar os demais ao setor de Comércio Exterior.

Você quer que o departamento reduza os custos no Comércio Exterior, certo? Então é preciso que os demais setores se integrem a ele também.

E você, fundador do setor, precisará apoiar esta integração porque não será fácil (com possíveis brigas), uma vez que envolverá mudar regras e procedimentos de outros setores (e mexer no ego de um bocado de gente).

Vamos para mais exemplos, digamos que o:

Financeiro

Tem por regra:

Fechamentos de câmbio ocorrerão somente nas quintas, se toda a burocracia for entregue até segunda da mesma semana.

Do momento que foi pedido para comprar (provavelmente com urgência) até o dinheiro “pingar” na conta do exportador que vende somente por pagamento antecipado, isso pode levar fácil 15 dias.

Foto por Craig Adderley em Pexels.com

15 dias e a carga sequer foi coletada, é por essas e outras que surge a frase “A FÁBRICA VAI PARAR”.

Fiscal

Emite NF em até 24 horas corridas após solicitado.

Quinta à tarde solicita-se emissão da NF, recebe-a sexta a tarde, no último dia do primeiro período de armazenagem e o porto só tem horário para carregar o contêiner no sábado.

Armazenagem extra e demais custos com mão-de-obra trabalhando no findi.

Controle de Qualidade

Confere o que foi recebido de importados “quando dá”.

4 meses depois que a carga chegou, o Controle de Qualidade confere e emite um relatório dizendo que está faltando uma peça.

Cabe ao setor de Comércio Exterior se besuntar com óleo de peroba para exigir que o exportador mande a peça faltante de graça e acredite nele quando diz que ninguém mexeu no equipamento nesses 4 meses.

Foto por Pixabay em Pexels.com – É bom passar duas demão.

Estes exemplos mostram que não basta iniciar um setor de Comércio Exterior, os demais departamentos precisam se integrar em cooperação, da mesma forma que o novo setor precisa ajudar os demais.

Não apenas exigir, a harmonia entre setores demanda política, é preciso ceder para conseguir pedir e isso vai exigir regras, exceções e muito diálogo para que problemas como os de cima não ocorram.


Devido a quantidade de variáveis e exceções que o assunto possui, decidi por apresentar exemplos que me ocorreram, para ajudar em sua reflexão de como realizar a integração do setor de Comércio Exterior.

Conforme o setor se integra e absorve com sucesso mais funções, novas integrações serão necessárias para atender as necessidades e estratégias de sua empresa.

E você leitora(o)?

Já passou por esse tipo de integração, mesmo que não desde o início? Quais outras dificuldades e conflitos costuma ter com demais setores? Suas experiências vão engrandecer o assunto nos comentários.

Logcomex

Este artigo foi escrito com os amigos da LogComex e publicado originalmente em blog.logcomex.com

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Evite mentir sobre seu inglês, também não exija tanto dele.

Mentir sobre qualquer informação do currículo é uma oportunidade para se queimar profissionalmente no mercado, e caso minta sobre seu inglês ao super estimá-lo no campo “Idiomas” – Você vai precisar de muito pós-sol para se recuperar dessa queimadura.

Pois é facílimo de avaliar em uma entrevista, para testar a escrita: papel e caneta, para entendimento e conversação: é só começar a bater um papo.

Meu inglês é básico, mas arranho bem na entrevista se a vaga pedir avançado.”

Quem arranha alguma coisa são gatos e DJs, o que você está fazendo é passar vergonha e desperdiçar o tempo de recrutadores.

Por outro lado, saiba avaliar o seu nível de inglês corretamente para não exigir demais de si mesmo. Os dois extremos serão abordados nesse texto, afinal, a meu ver, ambos são prejudiciais de formas diferentes.

Nada de mentir sobre sua fluência em inglês nem para mais e nem para menos.

Embora mentir superestimando a si mesmo seja mais prejudicial no mercado de trabalho, também não ajuda se você subestimar sua capacidade. Pode ser que seu inglês já seja Avançado, mas você insista em considera-lo como Básico ou Intermediário no currículo para evitar grandes expectativas.

Concordo e apoio sua honestidade, todavia você pode estar deixando de se candidatar a vagas perfeitas para você!

Mas você não acabou de dizer para não tentar arranhar no inglês porque é ”queimação”?

Sim, mas entenda que recrutadores experientes, com vagas que exijam inglês ou qualquer outro idioma, têm sensibilidade na hora da entrevista para saber quando o candidato não soube avaliar a própria capacidade ou tentou mesmo mentir para garantir a vaga.

Portanto, para evitar esse problema…

Solicite ajuda para avaliar o seu nível de fluência.

Se pesquisar avaliação de inglês na internet encontrará uma enxurrada de sites com testes online.

Eles podem ajudar a avaliar sua leitura e interpretação, alguns mais complexos terão áudios e vídeos para testar seu “ouvido”, é interessante para um resultado inicial, com a vantagem de poder fazer em casa de pijama.

Contudo, ressalto que será superficial.

Até pode bastar para provar seu inglês Básico, mas se quer ficar seguro em poder informar no currículo como Intermediário ou Avançado, sugiro que alguém com experiência em lecionar o idioma lhe avalie.

Vulgo, professor 🙂

Christina Morillo em Pexels.com

Cuja experiência acadêmica e prática poderão te avaliar corretamente. Só tome cuidado para que a avaliação seja honesta e não uma armadilha para te vender aulas desnecessárias.

”Ah, mas eu já morei 2 anos fora, é claro que sou fluente!”

Se nesse tempo que morou e trabalhou fora, esteve cercada(o) de brasileiros e não se deu o trabalho de tentar se aventurar para aprender o idioma, é melhor não confiar tanto nesse tempo morado na gringa.

Não se exija tanto no inglês, para não mentir a si mesmo.

Não importa se você acha seu inglês bom ou ruim, pode até ser ruim, mas não tenha vergonha de falar. Se um gringo(a):

  • Ligar, atenda o telefone;
  • Estiver na recepção, ofereça uma água e avise que o chefe já está vindo;
  • Pedir direções na cidade, ajude! Use o celular se for o caso.

Não pensa muito, só vai!

Com certeza é menos perigoso que isso
Lennart Wittstock em Pexels.com

Essas são as melhores oportunidades para praticar, para aprender novas palavras, gírias e detalhes que um curso não consegue abordar por completo.

É no susto mesmo, na prática do dia-a-dia, se virando com as palavras que sabe e até com mímica, não importa.

Pensa comigo, depois de passar anos:

  • Encarando trânsito para frequentar aulas;
  • Morando em outro país, longe de amigos e família;
  • Cantando músicas chatas e vergonhosas;
  • Aguentando aquela felicidade forçada dos professores; e
  • Gastando milhões com mensalidade e apostilas;

Como você poderia não querer usar o que aprendeu? Vai com medo mesmo!

”Mas meus amigos e colegas vão ficar me julgando :(”

Sim, vão! É o que fazemos, julgamos tudo e todos! É um dos motivos que faz com que o Big Brother seja um sucesso até hoje.

Mas, enquanto eles julgam, será você a pessoa que tomou a atitude de resolver e ajudar, e cresceu com a situação, não eles. E este é mais um motivo para que você não minta sobre seu nível de fluência no idioma: se não mentir, ninguém vai se decepcionar.

E lembre-se também de praticar, qualquer ofício enferruja se não utilizarmos com certa frequência! Já contei neste texto meus 6 hábitos para manter o inglês bonito, fica a sugestão.

***

Trouxe à tona o inglês, mas o texto serve para qualquer idioma. Na profissão de Comércio Exterior foram diversas as vezes que entrevistei ou me relacionei com pessoas que disseram ser fluentes, mas acabaram ocasionando momentos constrangedores.

Seja porque não avaliaram a capacidade do idioma, por colocarem ”avançado” apenas para conseguir a entrevista (sabendo que seria em inglês), ou por acharem que trabalhar dez anos nos states era garantia de fluência.

Sugestão de conteúdo complementar.

No segundo episódio do podcast Radar Comex, abordamos o assunto currículo e entrevista de emprego, nele, eu e mais 3 recrutadoras tratamos também sobre o idioma e o que recomendamos para que informe de forma que não ocorra surpresas (boas ou ruins).

Deixarei aqui os links para ouvir no Spotify ou Deezer.

E você, leitora(o)

Alguma dica para avaliar e praticar o inglês e outros idiomas? Como fez para aprender no início? Alguma sugestão de aplicativos ou sites para estudar idiomas? Sua experiência ajudará nos comentários.

Comexcast: Carreiras no Comércio Exterior.

Esse é um podcast que eu gostaria de ter ouvido no início da na faculdade, novamente participo do ComexCast do Carlos do Comexblog , agora também com Jackson Campos para conversar um pouco sobre algumas áreas para atuar no Comércio Exterior.

Bastante descontraído e fiel a rotina de nossos trabalhos na indústria/trading, agenciamento de carga e despacho aduaneiro…

Claro que limitado as nossas experiências, mas se tiver curiosidade sobre elas, vale a pena nos ouvir 🙂

Para ouvir, te ajudamos com os links abaixo:

🎧 Spotify: https://lnkd.in/d5UiuHH

🎧 Apple: https://lnkd.in/d_feC-g

🎧 Google: https://lnkd.in/dKxs2Ug


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Quem é o Jonas?

É um cara que trabalha há mais de onze anos com comércio exterior, importação e continua apaixonado pela falta de rotina que essa vida tem! Aliando seu amor pela escrita, desenvolve de forma simples e bem-humorada, pois a leitura não precisa ser um fardo para ensinar. Parágrafo

E o que começou como hobby, rendeu a oportunidade de escrever e palestrar para empresas do ramo como Allog, Cheap2ship, Cronos, DC Logistics, Amtrans, Fazcomex, Logcomex, entre outras.

Quando não escreve, pratica artes marciais, enfrenta sua eterna sua pilha de livros, joga vídeo game desde o Atari e também curte ajudar os outros profissionalmente, seja trocando uma ideia ou com soluções para quem está em apuros.

Talvez ele possa te ajudar, que tal procurá-lo?