Financiamento para Exportação, quais são eles?

Quem atua no Comércio Exterior sabe que as operações começam muito antes e terminam muito depois do embarque da mercadoria, e isso pesa no bolso. Felizmente, existem diversos tipos de Financiamento para Exportação disponibilizados, tanto por instituições financeiras públicas quanto privadas.

Através deles, problemas como falta de caixa e riscos de variação cambial podem ser evitados.

São várias as opções que podem auxiliar o exportador, antes ou depois do embarque, com o texto vamos apresentar quatro delas para iniciar seu conhecimento no assunto.

‘Bora conferir?

BNDES Exim Pré-embarque

O BNDES Exim Pré-Embarque é a opção indicada para empresas brasileiras de todos os tamanhos, que buscam financiar a produção dos bens e/ou serviços que serão exportados.

Fluxo operacional do BNDES Exim Pré-Embarque.
Fluxo operacional do BNDES Exim Pré-Embarque.

A solicitação por este financiamento ocorre através de uma agência financeira credenciada pelo BNDES, que vai mediar a relação entre o banco e o Exportador.

Além de negociar as garantias, o Exportador deve “possuir” cadastro satisfatório perante a instituição que solicitará o Financiamento: capacidade financeira e regularidade fiscal, social e tributária.

É isso aí, Financiamento para Exportação envolve burocracia (na verdade, qualquer tipo de financiamento), mas não esquenta, falarei mais disso no final.

Além disso, os bens e serviços a serem exportados devem constar na relação de itens financiáveis do BNDES.

Adiantamento sobre Contratos de Câmbio – ACC

O Adiantamento sobre Contratos de Câmbio se trata de antecipação de recursos, realizada antes do embarque, que pode servir como aplicação para os processos necessários a efetivar a operação da exportação, ou ainda para outros antes desse momento.

É indicado para os Exportadores ou produtores rurais que tenham negócios no Exterior e precisam de capital de giro para financiar a fase de produção.

Diversos bancos ou instituições que operam com câmbio oferecem essa modalidade.

Contudo, para o Exportador usufruir desta opção, é preciso que tenha crédito (limite pré-estabelecido para contratações de câmbio) no banco e esse tipo de Financiamento para Exportação só contempla operações com prazo máximo de até 360 dias.

O ACC apresenta uma variável chamada de ACC Indireto, que é, em resumo, um financiamento direcionado aos fabricantes de matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagens considerados insumos ao processo de produção dos bens a serem exportados.

A única diferença nesta modalidade é o prazo para liquidação, que é de 180 dias.

Adiantamento sobre Cambiais Entregues – ACE

Enquanto o ACC atua no pré-embarque, o Adiantamento sobre Cambiais Entregues visa cobrir o período de pós-embarque até que o Importador realize o pagamento.

Pode ser contratado até 360 dias depois do embarque (limitado ao último dia útil do 12º mês subsequente ao mês do embarque), submetendo os documentos da respectiva exportação à análise da instituição.

Caso a operação já tenha sido financiada com ACC, a opção também pelo ACE é feita através de uma alteração do tipo de Financiamento para Exportação, com o fim de englobar toda a operação.

Tanto o ACC quanto o ACE definem uma taxa de câmbio fixa, para que o Exportador não tenha prejuízos em razão da variação cambial.

Programa de Financiamento às Exportações – PROEX

O PROEX é um programa disponibilizado pelo Governo Federal e administrado pelo Banco do Brasil, que oferece a cobertura financeira do período de pós-embarque até o momento de o Importador realizar o pagamento ao Exportador.

Tem o intuito de estimular a competitividade, para que os Exportadores consigam ofertar melhores prazos aos Importadores sem comprometer tanto o próprio fluxo de caixa.

Visa atender especialmente o pequeno e médio, pois ele é indicado para empresas com receita operacional menor que 600 milhões de reais.

Os juros equivalem à taxa libor para USD (perto do ZERO) ou EURO (negativo), além de outras vantagens financeiras e comerciais.

O PROEX tem como vantagem e característica principal a não exigência de apresentar garantias reais ao BB para a concessão do crédito, uma vez que a contratação será garantida por uma Carta de Crédito (L/C).

O Financiamento PROEX é realizado através de uma agência do BB e, para aprovação, deve-se apresentar:

  • Carta de Crédito: que será analisada e aprovada para vinculação ao PROEX;
  • Comprovação de regularidade fiscal quanto ao INSS, FGTS, SRF e Dívida Ativa da União;
  • Não constar nos cadastros CEIS, CNEP e do Portal de Transparência da CGU;
  • Documentos da exportação serão apresentados após embarque para concessão do crédito; e
  • Os bens e serviços devem constar na Portaria MDIC 208, e Portaria MDIC 191.

Financiamento, não é empréstimo.

Imagem de Nattanan Kanchanaprat por Pixabay

Mesmo que atualmente nossa taxa Selic esteja bem baixinha, as taxas de juros desses tipos de Financiamento para Exportação conseguem superar facilmente qualquer opção de empréstimo no Brasil.

Isso, em suma, porque financiamento e empréstimo não são a mesma coisa.

Abordar esse tema a fundo é conversa para outro momento, mas, em princípio, um dos motivos das taxas de juros serem tão reduzidas se dá em razão do valor ser captado em instituições financeiras no exterior, o outro, e principal fator, é a burocracia.

Vimos no PROEX que são necessários diversos documentos, que eles estejam em ordem e que o dinheiro deve ser utilizado para o fim específico indicado no financiamento.

Semelhantemente quando se financia uma casa, é burocrático, mas a taxa de juros é muito melhor que qualquer crédito pré-aprovado em conta corrente.

Enfim, é recomendado para qualquer método acima, e todas as suas variáveis, que você seja instruído por quem tenha experiência, com o intuito de que essas soluções não virem um gargalo, bem como utilize o Financiamento para Exportação mais indicado à sua operação.

E, convenhamos, se você já dá conta de exportar e importar no Brasil, sem dúvida que vai tirar de letra essa papelada do banco 🙂

E você, amiga(o)?

Utiliza algum Financiamento para Exportação? Qual a importância deles para a sua competitividade? Algum cuidado que deseja recomendar? Ajude no assunto compartilhando sua experiência nos comentários.

Este artigo foi escrito para a Conexo e foi publicado originalmente em seu Blog.

Por que ser bom pagador ajuda no fluxo de caixa da importação?

Realizar uma importação que não respeite seu fluxo de caixa, eventualmente fará com que ela emperre em algum trâmite que, além de causar prejuízos, vai lhe distanciar de ser considerado um bom pagador no mercado de Comércio Exterior.

Aliás, se você não tiver caixa, será complicado até para conseguir o Radar acima do Expresso.

Para ser reconhecido como bom pagador é preciso, além de fluxo de caixa, a virtude de honrar seus compromissos em dia.

Sabemos que o momento não é financeiramente favorável para muitos segmentos que importam, mas aqueles que construíram sua reputação de bom pagador antes da pandemia, estão passando por essa situação com mais facilidade.

Os benefícios são intangíveis, mas valiosos para o sucesso tanto das importações, quanto de sua empresa.

O que é ser um bom pagador, afinal?

Assim como soft skills, quem vai dizer se você é ou não um bom pagador são as pessoas, porque ser um bom pagador é sinônimo de ser confiável.

Pois a confiabilidade faz fluxos de caixa premeditarem corretamente suas entradas, acontecer como planejado, saca? Igual sempre almejamos no comércio exterior, não é satisfatório quando a importação ou exportação flui sem entraves?

Isso vale tanto no Brasil que não teria coragem de carregar no bolso – Pixabay

Então, o recebedor do dindin se sente igual quando recebe em dia e isso reflete positivamente ao bom pagador em benefícios como:

Você alivia o fluxo de caixa dos próximos processos.

Da mesma forma que avaliamos um prestador de serviço na prática, a boa fama de bom pagador será desenvolvido com o passar dos processos.

E sem gerar dificuldades.

Sempre tem aqueles clientes com exigências novas só para ganhar tempo..

Agindo dessa forma, eles poderão reduzir a margem de segurança média deles contigo, cotando um preço melhor para o próximo embarque ou contrato.

Mas você não vai conseguir isso se trabalhar com qualquer um por causa de preço, é preciso desenvolver um pequeno grupo prestadores de serviço, para que tenha maior recorrência e colha esse benefício antes.

Os processos do bom pagador são tratados com maior prioridade.

Essa te respondo num exemplo bem prático:

Digamos que seu Despachante Aduaneiro tem duas D.I para registrar (de perfil, tamanho e valor similar) de diferentes clientes.

Porém, só há tempo para registrar uma para parametrizar no mesmo dia.

O cliente de uma das D.I, pagou o adiantamento do numerário hoje, ainda não caiu na conta mas ele jura que pagou, seguidamente ele tenta esse dibre.

O outro cliente, pagou o adiantamento ontem, como sempre faz, um dia antes da atracação do navio.

Sim, dá para pensar em muitas variáveis nesse simples exemplo, mas com toda certeza que esse despachante está inclinado a registrar a D.I de quem não o faz de bobo.

Maior poder de barganha.

Caso você, humilde importador, quer se destacar em algo que as grandes empresas do Comércio Exterior não fazem bem, basta pagar em dia.

Além de pedirem prazos longos, como Transit Time marítimo de armador pinga-pinga, ainda são capazes de atrasar.

Por mais que seu prestador de serviço tenha grandes empresas na carteira, ele precisa dos pequenos bom pagadores para evitar utilizar o próprio crédito. Pagar em dia é moralmente uma obrigação, contudo ainda é visto como um diferencial entre tantos maus pagadores, e isso tem poder de barganha para quando for cobrar ou renegociar valores.

Quando o fluxo de caixa do bom pagador apertar, confiarão nele.

Foto de Lukas no Pexels

Ninguém está livre de passar apertos financeiros, de fato que estranhamos quem diz não ter passado por dificuldade alguma atualmente.

Às vezes o problema financeiro nem é dinheiro, pode ser um sistema que falhou justamente no dia do pagamento do frete para o agente de carga ou do numerário ao despachante aduaneiro. 

Sendo um bom pagador, certamente que quando isso ocorrer, seus prestadores de serviço aceitarão lhe dar um prazo afim de que sua importação não absorva prejuízos.

Apesar de parecer um poder de barganha, na prática ocorre de forma inconsciente, por haver confiança.

Se não confiarem, estará se sujo na praça do comércio exterior.

É um assunto delicado, mas alguém precisa lhe dizer isso:

Não são apenas bancos que trocam informações sobre inadimplentes.

Duvida? Teste com um prestador de serviço que nunca trabalhou antes, de perfil similar aos que normalmente trabalha, e solicite-o seu prazo de sempre:

  • Se for rapidamente aprovado, sua fama de bom pagador está intacta.
  • Se for negado ou recebeu muito abaixo do pedido, ele sabe como você tratou os outros antes dele.

Talvez consiga ficar na tênue linha entre bom e mau pagador e tenha apenas uma fama de ”enrolão”, Desorganizado ou Perdido, que seja, entenda que, se ficar tratando seus prestadores de serviço como bancos, você está pagando por esse crédito.

A confiança é uma das moedas mais valiosas.

Ser reconhecido como bom pagador leva tempo, um setor de Marketing não vai ter tornar relevante em um mês ou esperar que um departamento de Importação resolva todos os entraves e prejuízos em uma semana.

Tampouco consigo provar com números, mas lhe digo por experiência própria, tanto como prestador de serviço quanto cliente que, ser bom pagador reduz custos, conflitos e as cargas chegam mais cedo até você.

E você, leitora(o)?

Como seus clientes têm lhe tratado nesse assunto? Eles são bons pagadores? Algum segmento tem sofrido mais pela pandemia? Vamos continuar conversando nos comentários.

Este artigo foi escrito com os amigos da LogComex e publicado originalmente em blog.logcomex.com