Como encarar os difíceis dilemas no comércio exterior, em casos fortuitos ou de força maior?

Espere! Não fuja! Não vou falar do ocorrido no Canal de Suez.

Hoje quero conversar sobre as difíceis escolhas que precisamos tomar em situações desta magnitude (que quase sempre se enquadram em casos fortuitos ou de força maior) ou, no mínimo, precisamos aconselhar nossos clientes no Comércio Exterior a respeito.

São dilemas difíceis pois, mesmo com experiência, somente o futuro vai dizer se a melhor (ou “menos pior”) decisão foi tomada.

E é preciso saber viver com ela.

O que são casos fortuitos ou de força maior no comércio exterior?

Antes de deliberar sobre o tema, vamos ao conceito de cada um deles de acordo com a lei.

De acordo com o Parágrafo Único do Art. 393 do Código Civil, estes são os casos “cujos efeitos não era possível evitar ou impedir” e a diferença entre ambos, de acordo com a doutrina do TJDFT é:

  • Casos Fortuitos – É o evento que não se pode prever e que não podemos evitar.
  • Força Maior – Os fatos humanos ou naturais, que podem até ser previstos, mas da mesma maneira não podem ser impedidos.

Tal como uma greve iniciada por servidores de um órgão público, que têm respaldo em lei para fazê-lo (Força Maior)

Ou uma tempestade de areia forte o bastante para encalhar uma embarcação no Canal de Suez, provavelmente causada pela Deusa Egípcia da fertilidade, da natureza e das águas (Caso Fortuito).

Se uma situação como a do Canal de Suez lhe afeta e você é religioso, adicione Isis em suas orações (junto do Santo Expedito).

Mal não faz, né?

Por que é difícil decidir nesses casos?

É difícil pois será necessário decidir com pouca ou nenhuma informação, como quando lemos que o fim da greve ou desencalhe vai levar de 3 a 30 dias.

Similar a quando”especialistas” dizem que a tendência do dólar para daqui 3 meses é de alta ou queda…

Mesmo que a situação contemple ressarcimento de seu seguro, o segundo motivo pelo qual é difícil decidir é que, independentemente da decisão tomada, ela vai causar prejuízos.

De modo geral, casos fortuitos ou de força maior costumam nos limitar a duas opções:

Esperar.

Se você acredita que a situação vai se resolver antes dela causar problemas e prejuízos relevantes, então a decisão será esperar.

Esperar, nesse caso, não significa “não fazer nada”, é possível minimizar os custos de uma greve, por exemplo, ao transferir a mercadoria para um terminal alfandegado com armazenagem mais barata, enquanto compra o mesmo produto nacionalmente ou renegocia os prazos que dependem dessa mercadoria.

Ou segurar o embarque marítimo da mercadoria (para que ela não entre ainda na fila das embarcações que esperavam a Ever Given desencalhar) para que assim possa estudar outras opções de frete internacional.

A verdade é que, dependendo da situação e do poder financeiro do importador/exportador, esperar será a única opção.

Mas se não for o caso a segunda opção é:

Resolver de forma onerosa.

Se a chegada da mercadoria ao destino final é necessária e não há mais tempo para esperar, então é preciso resolver já.

Contudo, isso dificilmente sairá de graça.

Uma mercadoria parametrizada em Canal Amarelo durante uma greve, por exemplo, pode ser solucionada com um Mandado de Segurança, mas dependo do valor da importação, pode sair mais caro que a armazenagem do primeiro período.

Se tiver mercadoria na Ásia e não quiser esperar o Canal de Suez reabrir para entregar a mercadoria na Europa, é possível transportar por ferrovia (arriscado e mais caro) ou ar (seguro, porém, muito caro).

Esperar um pouco, se nada mudar, resolver de forma onerosa.

Essa é normalmente a opção mais realizada na prática, não porque o risco é devidamente calculado, mas por não sabermos inicialmente o tamanho da bucha do problema que o processo se meteu.

E, nesse segundo caso, o importador/exportador (e demais empresas do Comex) acabam passando pelos estágios do Modelo de Sofrimento de Kübler-Ross, mais ou menos assim:

  1. Negação: “Não deve ser tão difícil assim reflutuar uma embarcação, amanhã tá tudo de volta ao normal.”
  2. Raiva: “Por que só com as minhas cargas? Não é justo!”
  3. Negociação: “Ísis, Santo Expedito, por favor, ouçam minhas preces!”
  4. Depressão: “Por que eu não fui estudar medicina?”
  5. Aceitação: “Tá… Embarca a próxima entrega por avião, não dá para esperar mais.”

Tome uma decisão.

Limitei a decisão a duas opções, mas os planos de ação dentro delas são diversos e variam conforme a mercadoria e a situação. Pois o problema é ter condições financeiras de tomar uma decisão, mas preferir patinar nos estágios 1 até 5.

Similar a um investidor que não se conforma que as ações compradas, estão em queda.

Convenhamos, se você se limitar a ficar na torcida/oração/revolta/reclamação no Twitter, deixará a solução a cargo de quem não está preocupado contigo.

Podem até desejar que a greve termine logo e que o navio desencalhe o quanto antes, mas o foco será sempre, em primeiro lugar, nos interesses próprios.

Depois que o plano de ação for executado, não se martirize.

O plano de ação executado tem como objetivo conter prejuízos maiores, ou seja, não há praticamente qualquer chance de isso sair mais barato que antes da bucha do problema acontecer.

Se você impetrou um Mandado de Segurança e ele foi favorável e liberou sua carga no mesmo dia que a greve acabou (já aconteceu comigo) ou se sua carga embarcou no avião poucas horas antes do Canal de Suez ser liberado: paciência!

Sei que financeiramente é ruim, mas o foco do papo não é esse, você buscou a melhor decisão com as informações que tinha e com sua experiência em buchas passadas.

Ficar dizendo para si (ou pior, para os outros) o que devia ter sido feito depois que o problema acabou, é igual programa que opina sobre partida de futebol: muito fácil dar pitaco sobre o passado.

E você, amiga(o)?

Qual sua opinião sobre o tema? Quais são os dilemas mais comuns que precisa enfrentar no Comércio Exterior? As experiências passadas ajudam? Teve alguma mercadoria afetada pelo bloqueio do Canal de Suez? Vamos continuar a conversa nos comentários 🙂


Desde 2007 atuando no comércio exterior e importação, decidi aliar meu amor pela escrita para ensinar e discutir sobre essa carreira que tanto aprecio, mas de forma simples e bem humorada.

Pois a leitura não precisa ser um fardo para ensinar.

E o que começou como hobby, me rendeu a oportunidade de escrever e palestrar para empresas do ramo como: Gett, Conexos, Allog, Cheap2ship, Mainô, Cronos, DC Logistics, Amtrans, Interfreight, Logcomex, Grupo Trust, Dati, Conexo, Inova Despachos, entre outras.

O hobby virou 2º emprego e hoje é o 1º, pois além de textos, palestras e consultorias, iniciei um podcast chamado Invoice Cast e no final desse mesmo ano, fundei com mais dois amigos uma agência focada em Comércio Exterior, a Invoice Content.

Tá afim de trocar uma ideia comigo? Me chama aí!

Não espere um setor de compliance, para começar a cuidar do seu.

O Comércio Exterior é cruel com quem perde prazos, pois isso normalmente resulta em custos extras na operação, perda de embarque ou até perda de cliente.

E, para que consigamos realizar tudo em tempo, costumamos fazer diversos sacrifícios como: almoçar em 10 minutos, trabalhar até tarde e não dar a mínima para o seu Compliance.

“Meu trabalho é cotar frete internacional, realizar a operação, bater metas de vendas, registrar as DI no dia da presença de carga, compliance não é problema meu”.

Terceirizar a responsabilidade é o caminho mais fácil para essa situação, contudo, é questão de tempo até você ser apontado como o culpado de alguma treta.

Veja o Compliance como a construção de um Escudo que vai lhe proteger nos momentos que lhe atacarem (vulgo: botarem no teu), pois o culpado no Comércio Exterior não é sempre o responsável mas sim, aquele que não tinha um Escudo para se proteger.

O que é Compliance?

Numa tradução literal, significa Conformidade, livremente entendido no meio profissional como “estar em conformidade”.

Então, quando uma empresa informar que trabalha conforme seu próprio programa de Compliance, ela quer dizer que existem regras e trâmites internos padronizados, que também respeitam a legislação em vigor sobre aquele assunto.

Sabe quando você trabalhou ou contratou uma empresa que te fazia pensar seguidamente:

  • “Não faço ideia de quem é o responsável por isso…”
  • “Vai desse jeito mesmo?”
  • “Como assim o documento tá salvo no Outlook?”

Esses são sentimentos causados por falta de Compliance… ou o básico dele, que é a boa e velha organização e estrutura de procedimentos.

E sabemos a que nível de M as 3 frases acima podem evoluir numa Importação ou Exportação…

Como começar seu Compliance no Comércio Exterior.

O “como” será visto abaixo, mas o mais importante é que ele precisa começar protegendo VOCÊ pessoa física.

Primeiro porque, se você já tem tempo de casa, sabe com funciona seu trabalho e, segundo, está ciente quais são os trâmites com maior sensibilidade no gerenciamento de risco (vulgo: aquilo que você faz e que ‘dar M’ é rotina).

Dessa forma, seu Escudo começará grande o bastante para proteger você, para depois proteger seu setor.

Se você sabe que desenho é esse, condene sua idade me falando nos comentários 🙂

Sabe o nome desse desenho? Me fala nos comentários (se não se importar de condenar a idade :P)

Algumas das sugestões podem parecer bem óbvias para os calejados da área, entretanto, testemunhei empresas com mais de 10 anos e/ou 50 funcionários falharem nelas, logo, o óbvio precisa ser dito.

Crie procedimentos.

Criar procedimentos significa formalizar em um documento como você realiza seu trabalho. Isso inclui, por exemplo, um passo-a-passo dos trâmites e a definição requisitos para que uma etapa esteja em conformidade para evoluir à seguinte.

Para começar, não é preciso criar um gigante procedimento explicando tudo o que você faz, nem recomendo, pois você acabará desistindo.

Comece com o que é mais suscetível de dar M erro, como um procedimento para solicitar cotação de frete internacional, por exemplo:

  1. Selecionar quatro Agentes de Carga (com cadastro aprovado para nos atender);
  2. Enviar solicitação de cotação aos quatro, ao mesmo tempo, usando o mesmo arquivo, com as mesmas informações e prazo de resposta;
  3. Se duas ou mais das melhores cotações tiverem uma diferença menor que 10%, solicitar desconto;
  4. Fechar com a melhor proposta e enviar a Instrução de Embarque;
  5. Enviar feedback aos Agentes de Carga não escolhidos.

O exemplo é simples pois não é momento de ir a fundo nisso, mas pelo o que converso com meus amigos do agenciamento de carga, não são poucos os clientes que nem isso fazem :/

É evidente que o procedimento será respeitado contanto que seja estável e não sofra contínuas alterações, o que é diferente de adições: naturalmente ele será aprimorado ao longo do tempo, pois mesmo com muita experiência prática é impossível pensarmos de primeira em todos os trâmites e exceções.

Formalize as comunicações.

Por mais que você seja íntegro e/ou competente, se você não tiver registro do que foi conversado, isso será usado contra você no momento que for investigado quem é o responsável por algum eventual prejuízo.

Um simples e-mail que começa dizendo “Conforme conversamos agora por telefone, fica definido…” basta para fortalecer o seu Escudo.

E caso o trabalho envolva parentes e amigos, digo por experiência própria que a necessidade de formalização é dobrada, pois há grandes chances de, no caso de um conflito, resultar no fim de uma amizade.

Padronize o armazenamento de documentos.

Photo by C Dustin on Unsplash

Não adianta formalizar as comunicações por e-mail, se quando precisar do bendito, não conseguir encontrar. Pois ele vai ser necessário provavelmente daqui:

  • Um mês, quando a carga chegar no porto de destino;
  • Um ano, quando sua auditoria interna perguntar por que você contratou o segundo frete internacional mais barato, ou;
  • Daqui 4 anos, 11 meses e 15 dias, quando a RFB na Revisão Aduaneira, perguntar onde está a Commercial Invoice assinada, daquele exportador que nem existe mais porque faliu em 2020 por causa da pandemia.

Mesmo que não tenha um sistema para gerenciar seu comércio exterior, basta salvar os documentos na nuvem, respeitando a padronização de pastas e nomeação, junto do que foi comunicado por e-mail e fazendo assim que o processo for finalizado.

Porque, se deixar para depois, só será feito num dos momentos exemplificados acima.

Envolva superiores e demais envolvido nas situações extraordinárias.

Os procedimentos inicialmente criados começam na premissa de que tudo vai acontecer sem surpresas e urgências, naquele cenário ideal que não existe no Comércio Exterior.

Seguindo o exemplo anterior, digamos que uma peça de maquinário quebrou e é preciso urgentemente buscar uma nova na fábrica.

Até o momento, você só tem 2 das 4 cotações de frete internacional necessárias, se aguardar mais, a peça não chegará a tempo.

Este é um simples (e corriqueiro) caso em que o Compliance entra em conflito com uma relevante necessidade e, quando isso ocorre, é importante ter o aval de superiores e outros setores para, extraordinariamente, seguir com o embarque mediante 2 cotações apenas.

É ‘CA-LA-RO’ que o extraordinário não pode virar rotina 😉

Seu Compliance é para você, mas ele vai também proteger outros.

Se numa situação conflituosa que lhe envolve, junto de mais 3 partes, você for o único que tem como provar o ocorrido e, consequentemente, o responsável, isso resultará em uma das partes pistola responsabilizada e outras duas eternamente gratas contigo, pois durante o conflito não passava nem Wi-Fi tinham material para se defender.

E isso demonstra segurança e seriedade de sua parte, que vai refletir positivamente até mesmo no seu networking.

Provavelmente estas situações inspirem outros a cuidarem do próprio Compliance, seja porque viram a importância com seu exemplo, ou porque se ferraram bonito.

Mas a verdade é que a maioria vai se acostumar a pedir tudo a você, inclusive prestadores de serviço, prepare-se para dizer não.

Compliance é um Escudo, não uma Muralha.

Se não existir um mínimo de procedimentos, provavelmente seus trâmites até ocorram de forma eficaz, mas com sérios prejuízos financeiros e de integridade.

Por outro lado, se o Compliance for desenvolvido de maneira leviana, ele será intransponível de tão engessado, a ponto de tornar seu trabalho mais moroso e custoso – sem mencionar como é chato demais trabalhar com empresas assim.

Logo, Compliance exige equilíbrio entre Proteção e Eficácia.

Ao desenvolver o seu Compliance, entenda que você consegue caminhar com um Escudo na mão, mas uma muralha não lhe permite avançar.

Soldado morto não precisa de Escudo.

Você não precisa de um setor de Compliance ou uma controladoria pegando no seu pé para se preocupar consigo mesmo.

Há momentos conflitantes que vão “apenas” lhe causar uma azia, mas não são raros os momentos, em nossa área, em que se discute quem é o responsável pelo prejú de 20 mil reais.

E isso costuma atingir a parte mais fraca, normalmente o prestador de serviço, a pessoa nova na empresa ou aquela que ninguém suporta mais e a diretoria tá só esperando um motivo para mandar embora, mesmo que não seja por justa causa.

Ademais, dependendo da gravidade do assunto que lhe atingiu, isso pode lhe queimar permanentemente no mercado.

Nesse caso, será tarde demais para produzir um Escudo para chamar de seu.

E você, amiga(o)?

Acha o assunto importante? Tem um setor de Compliance ou controladoria na sua empresa? Como costuma organizar seus procedimentos e documentos? Já se incomodou com a falta deles (de sua parte ou de outro envolvido)? Conto contigo nos comentários!

Sua “curtidinha” e comentário me ajudam a saber o que gostam de ler, ajuda aí 🙂

dicas para não queimar seu marketing

Dicas para não queimar seu marketing no comércio exterior.

Qualquer pessoa que já usava o LinkedIn e outras redes sociais antes da pandemia notou como em 2020 surgiram muito mais páginas de pessoas ou empresas de Comércio Exterior que em anos anteriores.

Apesar de ter sido motivado pelo isolamento e pela impossibilidade de fazer vendas presencialmente, isso catalisou a importância de se fazer Marketing.

Porém, existem atitudes e estratégias que podem queimar sua marca logo de cara, causando um ranço passageiro ou até algo que te queime definitivamente tanto com a sua audiência, quanto com os motores de busca (como o Google) e as redes sociais.

Listei abaixo as atitudes que mais vejo serem praticadas pelos desavisados (ou malandros) e deixei minha visão do porque acho que isso lhe queima e o que pode ser feito no lugar.

Sacrificar a qualidade em prol da quantidade de conteúdo.

Se deseja desenvolver seu público no seu site e nas redes sociais, você precisará publicar com recorrência.

Não precisa necessariamente ser uma publicação por dia ou um artigo por semana (já fiz isso ano passado, quase pirei), mas é necessário um mínimo de rotina para crescer.

Um caminho fácil para alcançar essa meta é postar conteúdo sem profundidade, só para cumprir tabela, tipo um aluno que dorme na sala até a hora da chamada, ou seja, só faz volume e não agrega.

Alguns exemplos*:

  • Frases motivacionais;
  • Repost/Compartilhamento;
  • Explicar o que é REPETRO num texto com menos de 1200 caracteres publicado;

*Sim, você pode argumentar sobre os exemplos que dei, tô ligado, mas convenhamos que não são marcantes.

Por que isso te queima?

Comecei com o mais leve de todos pois isso está longe de causar um cancelamento.

Contudo, se insistir no conteúdo raso visando quantidade ele se tornará chato, tal qual um filme sem ritmo que deixa aquela sensação de que não acaba nunca.

E filmes chatos são esquecidos, você também será.

O que fazer no lugar?

Tem espaço para todo mundo na internet, mas você será engolido pelos demais se não buscar profundidade.

Respeite sua capacidade atual e não tente dar um passo maior que a perna: faça um bom post semanal, um vídeo, podcast ou artigo quinzenal.

Se quiser mais conteúdo por período sem perder qualidade, então dedique mais tempo ou invi$ta mais no seu Marketing.

Desmerecer indiretamente o trabalho dos outros.

  • “O que NINGUÉM te fala sobre…”
  • “O MELHOR curso…”
  • “A sua PRINCIPAL referência em…”

Com certeza você já viu descrição de perfis, publicações e até mesmo cursos com frases assim, que utilizam de uma das estratégias mais sem vergonha manjadas de Copywriting para agregar valor e causar impacto.

Por que isso te queima?

O primeiro problema está em observar quem é o público que consome seu conteúdo, se você ou seu material não for esse “bichão” todo que diz ser, não cumprirá com a sua promessa.

E o ranço que alguém ‘pega’ por se sentir enganado é inevitável e pode ser permanente.

Segundo que tais títulos desmerecem ou se comportam como se outros produtores de conteúdo não existissem, ou dão a impressão que você conhece o conteúdo de todos os outros para dizer que o seu é o Melhor ou Único, o que é mentira.

O que fazer no lugar?

Se o seu conteúdo tiver qualidade, ele vai ser o melhor para alguém, mas, se ainda assim faz questão de usar essa estratégia, experimente usar a si próprio como referência, por exemplo:

  • “O que NUNCA te falei sobre…”
  • “Esse é o MELHOR curso que fiz até agora…”
  • “Meu propósito é ser sua PRINCIPAL referência…”

Viu como não precisa muito para não parecer um babaca? 😊

Se comunicar como se fosse a Anitta do Comércio Exterior.

Trata-se de outra estratégia (mais cansativa que live de Sertanejo Universitário) para se pagar de famosão se comportar como se tivesse milhões de seguidores e um engajamento surreal.

  • ”Muitas pessoas me perguntam…”
  • “Atendendo a diversos pedidos…”
  • “O post viralizou!”

Por que isso te queima?

Basta uma rápida análise de números para comprovar que a história está sendo aumentada.

Se, digamos, você tem 1000 seguidores (reais, falaremos disso adiante), com uma média de 40 curtidas e 3 comentários (excluindo seus pais e amigos dando uma força), é difícil acreditar que teu perfil (criado há menos de 6 meses), receba toda semana uma enxurrada de perguntas e pedidos.

O que fazer no lugar?

Você não precisa que ninguém te peça ou pergunte nada para tratar de um assunto que você gosta!

Aliás, se UMA pessoa perguntou é provável que mais alguém tenha essa dúvida e já vale a pena tratar do tema.

Portanto, experimente dizer:

  • “Uma pessoa me perguntou…”
  • “O tema dessa semana é X pois gosto muito de falar dele…”
  • “Estou feliz pois nunca tive tantos comentários num post antes!”

Além de ser pé no chão, humaniza a forma como você se comunica.

Tratar de assuntos que não domina, como se fosse um especialista.

Não importa a área, sempre existirão temas que estarão em alta e que, se você falar deles, vai atrair uma quantidade de seguidores maior que o normal. Exemplos disso dentro do Comex:

Frete China>>Brasil, Siscoserv desativado, DUIMP, Dólar, Greves, Eleições dos EUA…

Entendeu, né?

Mas convenhamos que, pelo menos nesses exemplos acima, é muito difícil que um único profissional de Comércio Exterior domine todos de verdade, certo?

E é aí que mora o perigo: querer forçar dominância num assunto que não tem.

Por que isso te queima?

Na melhor das hipóteses soará como um conteúdo raso e, no pior caso, é bem possível acabar dizendo uma besteira que pode trazer repercussões negativas.

O que fazer no lugar?

Não há problema em expor seus pensamentos num assunto que não domine, mas ao fazê-lo deixe claro que você é apenas um entusiasta e com limitado conhecimento no tema.

Você pode aproveitar a oportunidade para recomendar alguém bom no assunto e fazer um networking legal.

Foque no que você manja, por mais nichado que o assunto seja, com certeza tem muito o que se falar a respeito dele.

Quando comecei a escrever tive medo de ficar sem assunto depois de 20 artigos.

Já passei de 100.

Comprar seguidores, curtidas e comentários.

Agora entramos no Top 3 Baixaria que nem pós sol resolve a queimação.

Ao levar suas redes sociais mais a sério é questão de tempo até que algum perfil estranho te aborde com uma oportunidade única de encher teu perfil de seguidores, curtidas e comentários.

Basta pagar para receber toneladas de seguidores falsos, bots ou gente que nem sabe como começou a te seguir e sequer tem interesse no seu conteúdo.

Legal né? Passar de 10k seguidores no Insta só para poder habilitar o “arrasta pra cima”…

Não!

Por que isso te queima?

Primeiro que te queima com a rede social, o algoritmo consegue detectar que algo externo está inflando seu perfil artificialmente e pune você, seja com a redução do seu alcance ou até mesmo suspendendo indefinidamente sua conta.

Isso também te queima com as pessoas, pois o que você está mostrando é uma mentira, fruto de uma malandragem de quem deseja provar autoridade com números artificiais… e aí te pergunto:

Como vou confiar em você, se você mente sobre seus números?

E não venha pensando que “ninguém vai notar”, qualquer um que use uma rede social com frequência e manje o mínimo dos paranauês vai bater o olho na sua quantidade de seguidores, comparar com curtidas e comentários e saber que tem algo errado.

Além disso, existem sites que analisam seu crescimento histórico, como podemos ver abaixo:

Este é o Socialblade.com, e um dos gráficos que ele fornece é do ganho mensal de seguidores.

O exemplo acima é de um perfil X que até outubro não tinha 4 mil seguidores, quando ultrapassou 10 mil… e não, ele não foi chamado para participar do BBB.

O que fazer no lugar?

Opte pelo longo caminho mesmo, o do crescimento orgânico. Você vai conhecer pessoas incríveis que se identificam contigo e será questão de tempo para começar a ganhar dinheiro.

Além disso, é possível utilizar as soluções pagas DENTRO das redes sociais para impulsionar o alcance de suas publicações, não há nada de errado nisso.

Pagar para postar matérias em revistas e sites e dizer ao público que foi convidado.

Outra maneira de ganhar visibilidade é realizar o marketing de conteúdo nos veículos de imprensa.

De forma geral, é uma maneira para noticiar alguma novidade de sua empresa ou demonstrar seu conhecimento no assunto tratado e, ao final (ou sutilmente ao longo do texto), explicar quem é você e o que faz.

Naturalmente que se você não é um colunista nessa revista/jornal (nem na sua versão Web) é necessário pagar pelo espaço (via Dino, por exemplo), e isso lhe dará acesso aos leitores daquele veículo específico.

Por que isso te queima?

O problema está em como você divulga isso para seus seguidores.

Há quem adote a política de não deixar claro que é um espaço comprado, mas os campeões mesmo são os que dizem que foram CONVIDADOS ou que estão honrados em estar ali.

Parça, se você me der o dinheiro que você pagou para ter essa matéria veiculada, eu te convido para vir aqui em casa, ouço tudo que você tem a dizer e ainda te sirvo um café colonial.

Enfim, estará novamente mentindo.

O que fazer no lugar?

Fala a porcaria da verdade: que você veiculou uma matéria na imprensa sobre um tema/notícia que julga ser importante e segue a vida.

Cometer plágio.

Bem óbvio, mas já aconteceu comigo (fui plagiado) e com outros produtores de conteúdo conhecidos.

E não apenas plágio de conteúdo, já sofri e testemunhei:

  • alguém se declarar dono de imagens e fotos de terceiros;
  • copiar a descrição de resumo e apresentação de LinkedIn;
  • publicar vídeo dos outros em seu próprio canal do Youtube; e
  • copiar nome de canal e Newsletter.

Por que isso te queima?

Não preciso nem falar que isso é ILEGAL, né? E, como se não bastasse, te queima com as pessoas e principalmente com o proprietário do conteúdo.

Falando especificamente de textos para blog e vídeos no Youtube, além dos motores de buscas e redes sociais detectarem isso e te punirem, eles também punem o criador do conteúdo por não ter certeza de quem é realmente o proprietário daquilo – o que é muito FODA.

Mais um motivo para te odiar.

O que fazer no lugar?

Crie seu próprio conteúdo, óbvio! Ou terceirize para quem manja: eu e a Invoice Content, por exemplo.

E se você é alguém que costuma plagiar, sugiro estudar sobre Direito Autoral, Ética e Empatia.

***

Eu sei que alguns dos exemplos de queimação citados são cometidos na inocência ou até porque as pessoas se inspiram na forma como outros perfis atuam, dentro e fora de suas respectivas áreas.

Por isso não se condene caso você seja uma dessas pessoas ingênuas hehehehe…. a ideia do texto foi de fazer um alerta com o básico.

A não ser que você faça qualquer coisa parecida com as 3 últimas citadas, aí lhe falta honestidade mesmo.

E você, amiga(o)?

O que achou das dicas? Tem mais alguma para acrescentar? Presenciou alguém cometendo algo parecido? (Não é para citar nomes aqui, ok?!)

Se quiser mais dicas e conhecer explicações mais aprofundadas sobre o tema, ouça o Episódio nº 19 do Invoice Cast, nele tratamos desse assunto mais detalhadamente.

E, antes de ir embora, comente ou deixe sua curtida, ela é importante para eu saber se gostaram do tema. 😉