Dicas para reduzir custos e problemas ao importar com frete incluso (Prepaid).

Se existe algum setor em nosso comércio exterior que nunca realiza importações com frete incluso, podemos dizer que ele é privilegiado.

Ao menos para mim, foram raros os momentos que tive apenas embarques EXW e FOB, e estes poucos Prepaid foram capazes de gerar tanto estresse e ranço que até hoje carrego uma lista dos “Agentes de Carga que jamais darei uma chance”.

E engana-se se você achar que foram apenas os de pequeno porte, existem dois que estão há muitos anos como os maiores movimentadores de carga do mundo.

Como sempre há exceções, existiram excelentes agentes e armadores no Prepaid com os quais pude aprender, assim como aprendi com os problemáticos que é possível reduzir custos e problemas, porque

Às vezes, o Prepaid é inevitável.

Pois pode acontecer do exportador não aceitar embarcar com frete a pagar pelo importador (Collect), pelos mais diversos motivos, dependendo do produto e segmento, mas deixo a título de exemplo duas situações que presenciei seguidamente:

  1. Embarques em container Flat Rack, no qual a carga era tão volumosa, pesada, cara, delicada e de demorada fabricação, que o exportador preferia cuidar do carregamento e transporte internacional, pois sabia que na mão dele não haveria problemas na viagem.
  2. O volume de embarques do exportador era tão alto, que dependia de trabalhar alinhadamente com seus Agentes de Carga de confiança, para que a logística da fábrica até o porto ocorresse com sucesso.

E nestes dois casos o volume e experiência desses exportadores era tamanha que seguidamente não conseguíamos um frete igualmente competitivo.

Leitor de Agente Carga: Não conseguiu frete bom porque não cotou comigo hahaha!

Em toda negociação há limites ou critérios que uma das partes não aceita abrir mão, mas isso não impede que tomemos ações para nos precaver dos comuns problemas que o embarque Prepaid costuma causar – já os abordei mais a fundo no texto 5 razões para não importar com frete incluso (Prepaid), deixarei o link dele no final.

Proteja-se durante a compra.

Se o exportador não abre mão do frete internacional, então resta ao importador determinar na proposta as condições que impeçam este frete ser uma caixa pandora (seja uma PO, Invoice ou Contrato de Compra).

Determine as condições logísticas do frete internacional.

Essa parte é similar a cotar frete internacional, podemos determinar aspectos logísticos como:

  • Tempo máximo de Trânsito (Transit Time);
  • Se aceita embarque parcial;
  • Se aceita Transbordo;
  • No caso de carga consolidada (LCL), se aceita abertura de container no porto de transbordo;
  • Free time mínimo;
  • Quais tipos de container aceitam;
  • Se aceita ou não que parte da rota seja feito por Trânsito Aduaneiro.

Utilize o pagamento para se proteger do embarque sem autorização.

Se o pagamento ao exportador for após o embarque, o importador está suscetível ao EXP dar uma de John without Arm (Do inglês, João Sem Braço) e embarcar a mercadoria sem autorização.

Pior, o importador somente ficar sabendo quando receber o conhecimento de embarque para aprovar.

Não precisa muito para acabar com o dia de um importador 😉

Uma maneira de evitar esta malandragem é determinando que parte do pagamento ocorra somente após o exportador informar a prontidão da mercadoria, assim, motivando-o a produzi-la rapidamente para ser pago e como depende de receber, o importador não será surpreendido.

Hey, é só uma sugestão, sei que essa ideia vai fazer seu embarque demorar mais, cabe a você avaliar se serve para a sua importação.

Apresente os seus Agentes de Carga brasileiros ao exportador.

Tente intermediar um contato dos seus agentes de carga mais queridos ao agente do exportador; algumas vezes, compartilhar a assinatura de e-mail deles baste, pois talvez esse agente na origem já conheça ou até tenham uma parceria firmada.

Vai que viram melhores amigos.

Caso tenha ou aceite trabalhar com um dos seus indicados, sem dúvida isso vai favorecer no fluxo das informações e redução de custos de destino. Esta ideia é mais difícil de dar certo, mas como diria o Jonas adolescente, magricelo, espinhento e jogador de RPG e video-game:

O “não” já temos (até eu conhecer a humilhação).

Se apresente ao Agente de Carga no Brasil.

Considerando que usar um agente seu não funcionou, pergunte ao exportador ou ao Agente dele quem é seu parceiro e entre em contato com ele logo! É importante que isso seja feito antes do embarque, na verdade, antes mesmo da mercadoria estar pronta.

Isso foi o que encontrei ao pesquisar awkward handshake.

O objetivo é começar uma relação comercial para não ser tratado como mais um qualquer de processo Prepaid e sim, como um cliente em potencial.

Se apresente, conte da sua empresa, das importações e desse novo embarque que irão trabalhar juntos, negocie os custos de destino, porém, deixe claro a ele que essa é uma oportunidade para fazer um bom trabalho e assim conseguir embarques contratados por você.

Já que, de certa forma, está obrigado a trabalhar com ele, então que comecem em harmonia, nem você, nem o agente ou o exportador querem se estressar.

***

Reduzir custos e dificuldades na importação Prepaid é um desafio complexo, sei que as dicas geram ainda mais trabalho para o importador, mas os problemas que importar Prepaid sem se prevenir podem causar, conseguem gerar transtornos superiores às tentativas de prevenção.

E nem todas são aplicáveis, pode ser que seu principal exportador seja um gigante do setor e seu volume de compra é (proporcionalmente) tão pequeno, que ele não aceite adicionar ou mudar nada na proposta e para piorar, o Agente de Carga dele no Brasil é mais um PNC acéfalo, que visa apenas ganhar na Lei de Gerson no curto prazo e te despreze igualmente.

Mas aí são assuntos para futuros textos e, como mencionei no início, sugiro o artigo abaixo como leitura complementar.

E você, leitora(o)?

Também se estressa com importações Prepaid? Quais são suas dicas para minimizar as dificuldades? Divida sua experiência com os demais colegas nos comentários.


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