Custos de importação, quais são e quando devo pagá-los?

Se você está pensando em Importar e está aqui por se preocupar com os custos de importação, parabéns! Essa atitude mostra bom senso e já tenho fé que sua futura operação será um sucesso.

Mesmo em pequenos volumes, estes custos são pesados e é importante conhecê-los com o intuito de descobrir se o produto será viável para o objetivo dele no Brasil. 

O texto não focará no quanto (explicarei o porquê no final), e sim em quais são os custos e quando é necessário pagá-los, a fim de auxiliar no seu fluxo de caixa.

Dividindo os custos de importação em grupos.

Com o propósito de facilitar a apresentação e entendimento de cada Custo de Importação, decidi separá-los em três grupos, respeitando (mais ou menos) a ordem que cada um surge na Importação, não necessariamente a ordem de pagar.

E, antes de qualquer coisa, atenção! Trataremos aqui da Importação Formal, nada aplicável à modalidade courier das comprinhas via AliExpress ou eBay da vida.

Custos Comerciais.

Comecemos com o menor e primeiro dos três grupos, aqui teremos apenas o exportador e as instituições financeiras que realizam a movimentação internacional de dinheiros divisas.

Mercadoria:

Temos que falar do óbvio pois ficará estranho, deixá-la de fora, aliás, a decisão do que comprar, o valor, a quantidade e os INCOTERMS serão os principais influenciadores na composição do Valor Aduaneiro (VA), bem como os demais custos de importação adiante.

Isso significa que, se seu orçamento for apertado, provável que precisará reduzir a quantidade ou qualidade de mercadoria comprada.

Câmbio: 

A não ser que se trate de uma Importação sem cobertura cambial (doação, substituição, dentre outros), é preciso pagar pela mercadoria e é provável que pagará a maior parte do valor antes mesmo do embarque.

O que é natural, leva tempo para você começar a ser visto como bom pagador no Comércio Exterior e não existe um Procon ou Reclame Aqui mundial para auxiliar.

Para fazer este pagamento, será necessário converter seus Reais na moeda do Exportador através de uma instituição financeira; sobre tal serviço incidirá o custo da rede SWIFT e o Spread da operação, embutido na taxa ofertada da moeda.

Custos Operacionais:

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Com toda a certeza essa é a turma que faz a importação acontecer, formalmente chamados de Intervenientes.

E não é porque tratamos de custos da importação que você deve bater neles por preço, é necessário, acima de tudo, desenvolver o relacionamento comercial, com o intuito de localizar os melhores, manter os custos baixos e não ter surpresas na operação.

Os citados aqui, têm seus serviços pagos, em geral, depois da chegada da carga no destino final, podendo ter prazo superior (a depender da sua negociação). 

Despacho Aduaneiro:

Trata-se, em suma, do serviço de nacionalizar a carga através do Despacho Aduaneiro.

Os valores cobrados aqui podem ser com base em uma porcentagem do VA, ou podem ter outros valores fixos, de acordo, principalmente, com o tratamento administrativo de sua mercadoria.

Frete Internacional:

Infelizmente, nascemos cedo demais para ver uma máquina de teletransporte funcionar, portanto, alguém precisa realizar do frete internacional.

Esse trabalho é realizado especialmente por agentes de carga e NVOCC, que centralizam a gestão da logística internacional com armadores, companhias aéreas e agentes de carga em outros países.

Tal serviço engloba não apenas frete internacional, mas também o transporte interno e armazenagem no país de origem, entre outros (a depender da complexidade logística).

Em suma, os principais influenciadores neste custo serão, basicamente:

  • O INCOTERM (EXW, FOB, etc.);
  • Modo de embarque (aéreo, rodoviário, marítimo FCL, LCL…); e
  • Aspectos físicos da carga (peso, dimensão, se pode empilhar, se é frágil, se é carga perigosa…). 

Seguro

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Ponto bem importante, negocie à exaustão com o exportador, ou qualquer um dos outros custos de importação, mas por favor:

não deixe de assegurar sua carga.

Não faz sentido nenhum economizar com algo que fará mais falta em caso de sinistro. Este valor, no geral, é uma porcentagem que costuma ficar abaixo de 0,5% sobre o valor da Mercadoria + Frete Internacional.

Mas procure sempre esclarecer com a companhia seguradora ou corretor, pois existem produtos, países de embarque e outras situações com restrições que seguros não cobrem.

Armazenagem e serviços acessórios:

Para que sua mercadoria seja nacionalizada é preciso que ela adentre no país por uma área alfandegada, que podem ser portos, aeroportos e zonas de fronteiras.

Dessa maneira, será preciso ao menos pagar pela armazenagem (% do VA por período) e da movimentação da carga no recinto.

Guarujá - SP, Brazil, Jardim Boa Esperanca (Vicente de Carvalho)
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Além disso, pode haver outros custos conforme a necessidade da mercadoria: etiquetar, embalar ou, por exemplo, a necessidade de posicionar a carga para vistoria de algum órgão público.

É necessário muito cuidado! Os Custos de Importação das tabelas de preços de terminais costumam ser confusos, e até traiçoeiros, principalmente por não haver um padrão de nomenclatura e formato de cobrança (peso, volume, dimensões…) exigidos.

Transporte Interno:

Se o seu processo de importação conseguiu, com sucesso ou mesmo com alguma dificuldade, o desembaraço aduaneiro, e está pronto para deixar o recinto alfandegado, é preciso que alguém busque e transporte a sua mercadoria para onde quer que você deseje entregar.

Presumindo que não seja uma carga projeto, sua transportadora precisará apenas dos dados da carga, da rota e o VA.

Caso tenha veículo próprio pode utilizá-lo sem problemas, contudo, converse antes com seu Despachante Aduaneiro, não é simplesmente chegar no local e pedir sua encomenda

Consultoria e Assessoria:

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Se lhe falta experiência e um setor de importação na empresa, é importante contar com uma pessoa de confiança para garantir o bom fluxo operacional e detectar as oportunidades de melhoria e redução de custos.

Os valores de assessoria costumam ser cobrados por hora ou projeto, e são devidos antes mesmo da Importação começar, pois é trabalho do consultor lhe prevenir dos problemas custosos.

Problemas custosos no Comex, é redundância.

Vieira, Jonas – 2020

Afinal, sabemos que quaisquer cinquenta dólares economizados fazem diferença (ou falta).

Custos Aduaneiros e Tributários.

Vamos agora abordar o grupo que é certamente o mais “oneroso” dos três.

É possível reduzir custos com regimes aduaneiros e soluções tributárias, contudo, não há muito o que fazer e o que foi feito – os seus concorrentes provavelmente também já fizeram.

A maioria deles deverá ser pago depois da carga chegar no terminal alfandegado e antes do carregamento – aliás, nem vai conseguir carregar ou sequer começar o despacho aduaneiro sem a devida quitação.

Tributos incidentes na Declaração de Importação (DI).

A propósito de que seu despachante aduaneiro consiga registrar a DI, é necessário ter saldo em conta para pagar esta quantia de tributos:

  • Imposto de Importação (II);
  • Imposto sobre Produto Industrializado (IPI);
  • PIS;
  • COFINS;
  • Taxa de Utilização do Siscomex (TUS); e
  • Defesas Comerciais e Medidas Compensatórias, tais como: Antidumping e Salvaguarda.

Caso sua Importação apresentou alguma irregularidade e seja multada, também precisará pagar essa multa para conseguir o desembaraço.

Tributos incidentes APÓS o registro da DI:

Apesar de já ter pagado bastante com a DI, infelizmente os custos de importação aqui não acabaram… falta pagar o ICMS ao Estado  e o AFRMM, caso tenha importado por via marítima.

E menção desonhonrosa para:

A depender da classificação fiscal, existem licenças de importação que precisam ser pagas para serem analisadas, por exemplo, alguns produtos que precisam da anuência da SUEXT (antiga DECEX), só têm o processo analisado após o pagamento da respectiva taxa via Banco do Brasil.

Também há produtos, como bebidas, lâmpadas e brinquedos, que precisam ser submetidos à análise de laboratórios credenciados para atestar a qualidade.

Desse modo, o momento de pagar tais custos pode acontecer antes do embarque ou depois da chegada no terminal de destino.

Quanto “pesa” em porcentagem cada um desses custos de importação?

Image by rawpixel.com

São tantas as variáveis que não é possível responder isso de forma geral.

Se o seu estudo de viabilidade mudar uma informação como a classificação fiscal, modo e país de embarque, será necessário revisar os custos quase que por completo.

A não ser que pergunte especificamente para alguém que já realizou a operação nos moldes que pretenda realizar. 

Fora isso, desconfie de quem diz saber.

E você, amiga(o)?

O texto faz parta da série “Beabá do Comex” e não me permite aprofundar demais sem que vire uma chata monografia.

No entanto, sinta-se à vontade para complementar o assunto nos comentários. Gostou do texto? Qual custo mais dá trabalho orçar ou mais dói no bolso?

Este artigo foi escrito com a turma da LogComex e publicado originalmente em blog.logcomex.com

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